sexta-feira, 22 de maio de 2015

O Panzer IV da Airfix - 3ª parte

Recorremos aos decalques fornecidos pela Airfix, de qualidade razoável, mas optamos por usar o símbolo correcto do Afrika Korps, que inclui uma minúscula suástica que se sobrepõe a uma palmeira ligeiramente curvada em substituição da fornecida e que, pela falta da suástica e devido à forma da palmeira se torna algo absurda.

Realçamos alguns detalhes, recorrendo à técnica de pincel seco, tendo adicionado alguma sujidade no modelo, sobretudo nas lagartas, bem como algumas marcas de uso, como esfoladelas na pintura, que, dependendo do passado do veículo, deixava ver a anterior pintura, em cinzento escuro, ou o primário, em tons de castanho avermelhado, podendo mesmo ser uma combinação de ambas.

Também uma pequena aguada, neste caso diluindo tinta castanha em água, que se vai infiltrar em zonas ou recortes mais profundos, ajuda a realçar detalhes, aumentando sobretudo a perspectiva de profundidade daqueles que, por restrições da técnica de moldagem, estejam insuficientemente defenidos.

Optamos, igualmente, por melhorar um pouco o canhão, efectuando o furo correspondente no cano, e posicionamos a escotilha do comandante na posição de aberta, mesmo sabendo que dificilmente se encontra uma figura adequada com a dimensão correcta, sobretudo com o uniforme utilizado pelas tripulações no Norte de África.

Tal como acontece com muitos "kits" da Airfix, as lagartas destinam-se a ser soldadas, recorrendo a uma chave de parafusos aquecida, que irá derreter um par de pinos destinados a passar noutros tantos orifícios e que acabam por funcionar como rebites, fixando defenitivamente as lagartas que, infelizmente, são mais espessas do que deviam em consequência do tipo de concepção e material usado.

Devemos dizer que as lagartas da Airfix nunca foram as nossas favoritas, perdendo para a maioria dos concorrentes, seja para os que usam o mesmo método, fabricando-as em borracha que é ajustada aos rodados, seja face aos que optam pelo mais trabalhoso, mas muito mais realista sistema de fornecer elos separados, que são colados na posição correcta e, para além de acompanharem as inflexões dos rodados, são mais finamente moldadas, reproduzindo muito mais fielmente os detalhes.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O Panzer IV da Airfix - 2ª parte

Estão igualmente disponíveis insígnias para duas versões, mas o facto é que, dado que as versões F1 e F2 foram usadas em diversas frentes de combate, com a pintura adequada, o modelo da Airfix tanto pode ser usado em cenários do Norte de África, como na Rússia, Itália e mesmo França, embora neste caso tal seja mais raro.

Em termos de construção, este é um modelo simples, não obstante ser composto por um razoável número de peças, que, seguindo as instruções, não deverá oferecer dificuldades de maior, mesmo aos pouco experientes, aconselhando-se a construir o chassis, sem rodados, e a torre, antes de proceder à pintura.

Diz-nos a experiência que as da lagartas da Airfix só ficam perfeitamente ajustadas caso o modelo tenha algum peso, pelo que convém, antes de fechar o modelo, adicionar algum peso, podendo-se colocar no interior alguns parafusos velhos ou outras pequenas peças em metal, devidamente coladas, que fazem com que, uma vez pousado, a parte inferior das lagartas fique perfeitamente direita.

Um método simples, que no entanto não seguimos neste caso, é usar como primário um "spray" com a mesma cor usada nos veículos reais, e que era um vermelho acastanhado, que protegia o metal da ferrugem, e proporciona uma excelente aderência para a pintura, que pode ser em tons de amarelo escuro, como ou sem padrão de camuflagem, ou cinzento, o conhecido "Panzer Grau", que podia, igualmente ser camuflado, algo inevitável, por exemplo, no Inverno russo, onde era aplicada tinta branca nas superfícies mais visíveis.

Optamos pela versão em amarelo escuro, tal como usado em África, onde era raro adicionar padrões de camuflagem, com a pintura simples a ser aplicada directamente sobre o plástico, em camadas sucessivas, sendo os detalhes, como o negro da borracha dos rodados ou dos periscópios, o negro metalizado dos canos das metralhadoras ou acessórios, e o vermelho acastanhado das lagartas a serem adicionados posteriormente.

Escolhemos a versão F1, equipada com o canhão KWK37 L/24, o conhecido 75 mm curto, a mais comum das versões contidas no "kit", não apenas no Norte de África, mas nos diversos teatros de operações, dado que o número de F2 acabou por ser escasso, sendo rapidamente substituido pela versão G, com a peça KWK40 L/43 a ser substituida pela defenitiva KWK40 L/48, usada pelas versões subsquentes do Panzer IV.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O Panzer IV da Airfix - 1ª parte

Durante anos, talvez décadas, a Airfix produziu o único o modelo na escala 1/76 do Panzer Kampfwagen IV, o carro de combate construído pela Alemanha em maior número durante a 2ª Guerra Mundial, prolongando-se a produção até aos dias de hoje, concorrendo actualmente com numerosos rivais na mesma escala e na mais popular 1/72.

Naturalmente que para quem opta por modelos na escala 1/72 o modelo da Airfix apresenta o inconveniente de ser mais pequeno, mas, até surgirem os Panzer IV da Esci, que rapidamente se popularizaram, não existiam alternativas viáveis, sobretudo durante os anos 70, quando as restrições às importações condicionaram em muito as aquisições de bens não essenciais.

Batido por modelos mais recentes, o Panzer IV da Airfix não deixa, no entanto, de ser um modelo preciso, de construção simples e que, efectivamente, mantém o encanto da nostalgia, sendo evocativo de uma época onde a variedade escasseava e este "kit" era do melhor que então se produzia, o que justificava ser incluido na "Serie 2", correspondente a modelos de maior dimensão ou complexidade e, consequentemente, um pouco mais dispendiosos.

A título de curiosidade, podemos dizer que o primeiro Panzer IV que adquirimos custou 32$50, numa altura em que os "kits" da Airfix da "Serie 1" andariam pelos 25$00, vindo ainda embalado no primeiro dos três modelos de caixa que apresentamos, os quais ilustram as quatro últimas décadas de produção deste "kit".

Se a Airfix introduziu alterações no modelo, admitimos que não a encontramos, mas, para além da caixa, existem alterações a nível de instruções, que agora são melhor impressas e com informações em mais línguas e, igualmente por razões comunitárias, referências ao regime nazi, como a minúscula suástica incluida no símbolo do Afrika Korps, foram suprimidas.

Quanto ao resto, em termos das peças em plástico e das lagartas, em borracha, tudo permaneceu idêntico, permitindo o "kit" ser finalizado em duas versões distintas, a F1, com a peça de 75mm curta, L/24, e a primeira com peça longa L/43, que se distinguiu no Norte de África e era chamada pelos ingleses o "Mark IV Special".

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Nova colecção de motos militares nas bancas

Surgiu recentemente uma colecção de motociclos militares, montados e pintados, acompanhados dos respectivos motociclistas, na escala 1/30, inteiramente em metal e acompanhados de um pequeno fascículo onde são descritas as características e feita uma pequena resenha histórica de cada modelo.

O primeiro número, o único já disponível, inclui a célebre moto alemã BMW R75 e figura correspondente, na conhecida versão do Deutsche Afrika Korps, sendo patente a excelente qualidade da miniatura, sobretudo a nível de pintura, vendo-se reproduzidos os vários detalhes e insígnias do equipamento e fardamento.

A cada 10 modelos, como contrapartida pelo envio dos códigos de barras, os colecionadores podem receber um "side car" para alguns modelos selecionados, o que indiscutivelmente valoriza o conjunto, tornando-o mais representativo dos motociclos usados por forças militares e policiais a partir do início da Grande Guerra e até ao termo da 2ª Guerra Mundial.

Não obstante os fascículo serem de interesse reduzido, com flagrantes erros de tradução, e mesmo com algumas pequenas imprecisões nos modelos, como, por exemplo, a ausência do filtro sobre o depósito de combustível, no caso da BMW R75, estas são excelentes miniaturas, que podem ainda ser melhoradas, as quais aconselhamos a quem se interesse por este tema.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Emhar lança Infantaria e Caçadores portugueses da Guerra Peninsular

Image Hosted by Google Caixa de Infantaria e Caçadores portugueses da Guerra Peninsular da Emhar

Está finalmente disponível para aquisição o conjunto de infantaria e caçadores portugueses do tempo das Guerras Napoleónicas da Emhar, sendo este o primeiro na escala 1/72 e em plástico a representar as forças nacionais neste conflito.

Este conjunto vem colmatar uma importante falha, dado que o Exército Português que participou na Guerra Peninsular, desde Portugal a França, passando por Espanha, representando uma parte substancial, entre 30 e 50% das forças comandadas por Wellington, sendo agora possível reproduzir com uma muito maior exactidão esta campanha decisiva para a derrota de Napoleão.

Com um total de 46 figuras em plástico que permite mudar a posição das figuras, importante em vários casos, incluindo mochilas destacáveis, com uma dezena de poses diferentes, que incluem infantaria de linha e caçadores, este conjunto não cobre de forma extensa a infantaria portuguesa, mas é um excelente ponto de partida, que deverá ser complementado por outros fabricantes.

A qualidade destas figuras, tal como é habitual neste fabricante, é excelente, com os detalhes finamente reproduzidos, seja nas faces ou mãos, seja a nível dos uniformes e das armas, onde falta, infelizmente, a espingarda Baker usada pelos caçadores.

Assim, este conjunto, apesar de essencial, peca por escasso, com apenas uma dúzia de poses para a infantaria de linha, incluindo um oficial, e para caçadores, podendo dar origem a mais algumas apenas mudando a posição através do reposicionamento dos membros, algo que nem sempre é possível, dependendo da posição da figura original.

Com as poses mais habituais, e sem concorrência directa, este conjunto da Emhar, há muito anunciado e prometido, surge em conjunto com três outros para a mesma campanha, incluindo ingleses, franceses e espanhóis, o que vem cobrir melhor a Guerra Peninsular e sobretudo o Exército Português, especialmente esquecido nesta escala pela totalidade dos fabricantes de miniaturas.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A cavalaria inglesa da HaT da 1ª Guerra Mundial - 3ª parte

Image Hosted by Google Cavalaria inglesa da HaT da 1ª Guerra Mundial

Optamos por rentabilizar ao máximo o conjunto, pelo que nos socorremos de dois cavalos da Infantaria Montada Alemã e de uma figura da artilharia inglesa da Grande Guerra, ambos do mesmo fabricante para passar dos quatro cavaleiros que a grelha que recebemos permitia para seis.

A inclusão da figura proveniente do conjunto de artilharia pode, naturalmente, ser contestada, dado que tem o capacete típico da segunda fase da guerra e não o boné utilizado no início, acrescendo a máscara anti gás, no respectivo estojo, sendo a lança construida a partir de uma pequena haste metálica, pelo que é mais fina do que as outras, sendo encimada por um pequeno guião.

No entanto, em conjunto com um oficial, que usaram o mesmo uniforme e boné ao longo de toda a guerra, esta figura suplementar não destoa, pelo menos em demasia, sendo esta uma forma de aproveitar uma figura destinada a um trem de artilharia, o qual ainda não está disponível.

Image Hosted by ImageShack Cavalaria inglesa da HaT da 1ª Guerra Mundial

Este é um conjunto que merece uma nota extremamente positiva, ostentando uma qualidade muito superior à dos rivais da Strelets-R, cuja única vantagem é a inclusão de doze figuras e seis cavalos diferentes, mas onde as defeciências a nível de escultura e mesmo de rigor histórico são mais que óbvias.

A 1ª Guerra Mundial, não obstante algumas acções de sucesso, nomeadamente fora da Europa, assinalou o fim da importância da cavalaria montada, tal como acontecera no passado e ao longo de séculos, onde cavaleiros e montadas foram decisivos nos campos de batalha, pelo que demorou muito até que os fabricantes de miniaturas reconhecessem a sua presença.

No ano em que se celebra o centenário sobre o início da Grande Guerra, este é um justo tributo aos que nela combateram, independentemente da nacionalidade, sendo de prever que muitos outros conjuntos abordando o mesmo tema venham a ser disponibilizados, sobretudo quando nos aproximarmos de Agosto, altura em que se deu início a este conflito.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A cavalaria inglesa da HaT da 1ª Guerra Mundial - 2ª parte

Image Hosted by Google Cavalaria inglesa da HaT da 1ª Guerra Mundial

Seguidamente, tal como fazemos sempre, todas as figuras e acessórios são pintados em preto fosco, recorrendo a tinta acrílica da Citadel, a qual servirá como primário, para além de uniformizar o tom do plástico e de corrigir pequenas irregularidades derivadas de marcas do molde.

A pintura dos cavalos segue o método habitual, idêntico ao descrito anteriormente em tantos outros conjuntos, tendo neste caso que se acrescentar as mantas, uma à frente, outra atrás da sela, para o que existem pinos e orifícios de localização, bem como a bandoleira em torno do pescoço da montada.

Os arreios são em cabedal, de cor castanha, tal como a sela e o coldre para a espingarda, sendo o freio em metal, tal como as fivelas, estribos e marmita, enquanto as mantas e outros tecidos são pintados em khaki, no tom acastanhado a que nos habituamos a ver as forças inglesas deste periodo.

Image Hosted by Google Cavalaria inglesa da HaT da 1ª Guerra Mundial

Estas figuras são simples de pintar, dado que o uniforme apresenta uma cor acastanhada na sua totalidade, pelo que o mais adequado é o de recorrer ao método de ir pincelando com uma tonalidade sucessivamente mais clara, realçando assim os detalhes e dando-lhes uma maior profundidade.

Efectivamente, os detalhes mais evidentes das figuras são a cor da pele, a mais contrastante, bem como o vermelho das insígnias de posto do oficial, algumas correias e o metal de armas, botões ou insígnias, mas todo o resto acaba por ser todo em diversos tons de castanho, por vezes algo idênticos.

Naturalmente que, quando existe uma cor dominante e relativamente poucos pontos contrastantes, os detalhes adquirem uma especial importância, pelo que devem ser realçados tanto quanto possível, mas sem exageros, podendo ser reforçados com uma pequena linha divisória em preto que fará o efeito de uma sombra.