sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O Messerschmitt 262 da Matchbox - 2ª parte

Talvez simplificado em excesso, com um "cockpit" onde apenas um assento e a figura do piloto, comum a todos os modelos da marca deste período, estão presentes, sem grandes detalhes no interior dos motores, e com porões do trem de aterragem com escassa profundidade, esta não é uma reprodução perfeita do Messerschmitt 262, mas, quando surgiu ou destinado a principiantes, será uma opção a ter em conta.

Começando pelo interior, onde uma simples pintura em verde é suficiente, e depois de pintar o piloto com o habitual fato de voo castanho, podem-se colar as duas peças que dão origem à fuselagem e ao leme vertical, colocando um pouco de lastro junto do nariz, para equilibrar o modelo, algo essencial caso se pretenda que fique assente sobre o trem de aterragem.

A montagem dos dois motores é igualmente muito simples, sendo compostos pelas duas peças laterais e pelas que representam as entradas e saídas do reactor, tendo sido nossa opção colá-los em simultâneo com o exterior da asa inferior na peça integral da asa superior.

Seguidamente, colamos em posição a peça central que fica sob a fuselagem entre os dois motores, após fazer testes de posicionamento, e procedemos à colagem do conjunto anterior, que inclui as asas e motores, podendo-se, em sequência, colar os estabilizadores horizontais na cauda. ficando assim com o avião montado, sem detalhes, como antenas, trem de aterragem ou a transparência.

Nesta altura devem-se eliminar as junções entre as peças, bastante diminutas, dado que todas as peças se encaixam correctamente e demonstram uma excelente qualidade de moldagem, o que pode ser feito com um pouco de cola instantânea e lixa fina, dispensando-se betume ou outro tipo de produto que apenas se justifica para correcções maiores.

Convém pintar o interior dos porões do trem e das portas em verde, tal como o trem de aterragem e jantes da mesma cor ou na cor do metal, bem como os pneus em negro antes de proceder à sua montagem, podendo-se, igualmente, pintar o exterior das portas na cor das superfícies inferiores, neste caso em cinzento claro, antes de proceder à respectiva montagem.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O Messerschmitt 262 da Matchbox - 1ª parte

O Messerschmitt 262, o primeiro caça a jacto operacional a entrar em combate, condicionou o desenvolvimento da aviação militar, constituindo um factor de ruptura, ultrapassando de forma inequívoca os comuns modelos a motor de pistão, que equipavam as forças aéreas de todo o Mundo.

Não era apenas o facto de possuir motores a reacção que tornava este avião único, mas também o impressionante poder de fogo, resultante dos quatro canhões de 30 milímetros montados no nariz, e a configuração das asas, com inclinação para trás, tal como acontece com os modernos aviões de caça que o tornavam único no panorama da 2ª Guerra Mundial.

O número de inovações presentes, algumas muito pouco testadas, transformava o Messerschmitt 262 num autêntico "cocktail" de tecnologias de ponta, muito à frente de tudo o que os seus adversários lhe podiam contrapor, e apenas o escasso número de unidades operacionais, a falta de combustível e o colapso eminente da Alemanha impediu que pudessa alterar o curso da guerra.

Naturalmente, um avião com esta importância na história da aviação, mereceu o interesse de diversos fabricantes de miniaturas, com os primeiros modelos sob a forma de "kit" para montar na escala 1/72 a surgirem nos anos 60, produzidos pela Airfix, popularizando-se de imediato, apesar de diversos erros, que levou este fabricante a anunciar, finalmente, um novo Messerschmitt 262 para o corrente ano.

Quando surgiu, há perto de quarenta anos, o Messerschmitt 262 da Matchbox tinha como principal rival o modelo da Airfix, bastante mais antigo e que evidenciava alguns erros flagrantes, sobretudo na zona do "cockpit", e um mais recente "kit" da Frog, ainda hoje um modelo razoável, posteriormente vendido pela Revell e pela própria Matchbox sob a designação de "Blitzbomber", pelo que, inevitavelmente, veio a ser o favorito dos modelistas que não podiam adquirir os dispendiosos "kits" provenientes do Japão, como os da Hasegawa.

Durante algum tempo, o modelo simples, mas de linhas correctas e muito fácil de montar produzido pela Matchbox foi extremamente popular, até à chegada de rivais, como o "kit" da Heller, começando então a perder para os seus adversários mais recentes, não obstante algumas tentativas de rejuvenescimento, em nova embalagem, ou a produção sob a marca AMT.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O Messerschmitt Bf 109 K-4 da Airfix - 2ª parte

Este "kit" é exemplificativo da produção da Heller durante os anos 80, com boas linhas, que acompanham bem a do original, e uma montagem simples, com poucas peças, mas com um interior cuidado, onde estão presentes os principais elementos, mas sem piloto, uma presença quase constante nos modelos de origem Airfix, que tinha a tradição de incluir as figuras que reproduziam a tripulação.

Assim, em termos de concepção e montagem, esta versão acompanha as dos outros modelos da Heller que descrevemos, como os G, sendo patente o esforço deste fabricante em produzir um vasto conjunto de versões do Bf 109, todas diferentes e sem partilhas de componentes, algo que nem sempre acontece com modelos provenientes de outras marcas, onde alguns "kits" não correspondem aos modelos que representam.

Justifica-se, caso possível, adicionar uma figura de piloto, as suásticas da cauda, omissas pelos motivos tantas vezes referidos, e as antenas, em plástico estirado a quente, o que melhora imediatamente o aspecto final do modelo que vem sem grandes opções, para além de o "cockpit" poder ficar aberto ou fechado e poderem ser omitidas as pequenas portas do trem de aterragem, muitas vezes retirada por serem consideradas uma complexidade desnecessária que em nada melhorava o desempenho do avião.

Este continua a ser um modelo interessante, razão pela qual se mantém em produção, mas a sua excessiva simplicidade coloca-o qualitativamente abaixo de opções mais recentes, e mais dispendiosas, pelo que será, sobretudo, uma opção para todos quantos queiram um K-4 fácil de montar e vendido pela Heller, a um preço baixo, numa escolha que muitos modelistas principiantes e praticantes de jogos de guerra consideram a mais certa.

Também é possível encontrar alguns modelos originais desta série, pesquisando por "Aircraft of the Aces", muitas vezes vendidos por preços francamente inflacionados, apenas justificáveis por serem considerados artigos de colecção ou miniaturas raras, e que excedem em muito o valor correspondente à qualidade do "kit", ultrapassando em muito o que é pedido pelos melhores modelos do mesmo avião.

A ligação entre a Heller e a Airfix, consequência dos problemas financeiros desta última, teve algumas implicações positivas, outras nem tanto, como a perda de moldes ou uma certa promiscuidade entre linhas de produtos, acabando por se revelar essencial para a sobrevivência do fabricante britânico, hoje dependente da Hornby, e que já não inclui no seu catálogo nenhum dos modelos de origem francesa do tempo em que se encontrava na dependência da Heller.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O Messerschmitt Bf 109 K-4 da Airfix - 1ª parte

A série de "aviões dos ases" foi uma iniciativa da Airfix no sentido de rentabilizar alguns modelos, por vezes com algumas dezenas de anos, outros provenientes da sua associação com a Heller, reproduzindo aviões individuais, pilotados por pilotos mais ou menos célebres, num esforço de marketing que, inegavelmente, deu os seus frutos.

Entre os vários modelos, o Messerschmitt Bf 109 K-4, proveniente da Heller, pilotado por Erich Hartmann, o piloto mais vitorioso de sempre, com 352 aviões inimigos abatidos, merece uma atenção especial, sobretudo devido à fama do piloto e ao facto de ter coexistido com a versão original da Heller, que, sendo em tudo igual, tinha uma decoração diferente.

Sobre a versão K-4 não nos vamos alongar, por ter sido apresentada previamente, sendo uma das últimas a surgir, incorporando os últimos melhoramentos, seja em termos de motor, seja de aerodinâmica, com algumas particularidades, com as portas do trem de aterragem, que ficava completamente fechado, e mesmo em sistemas eléctricos, num último esforço para manter os Bf 109 ao nível dos seus melhores adversários.

É de notar que este K-4 sucede a um anterior K da Heller, sendo patentes as diferenças nas asas, que na primeira versão tinham apenas pequenas pretuberâncias no plano superior, possuía como opção as "bossas" na fuselagem, tal como sucedia com os G com as metralhadoras de 13 milímetros, e que, efectivamente e apesar da designação, seria uma versão G tardia e não um K.

A Heller optou por fazer um novo K, desta vez um K-4, onde foram corrigidos os erros de modo a que o "kit" passasse a representar efectivamente a versão proposta, pelo que este modelo, tardio em relação a outros Bf-109 do fabricante, tem uma qualidade que consideramos superior, o que justifica que ainda hoje se mantenha em produção, fazendo frente a opções muito mais recentes.

Numa altura em que as versões K eram raras, em oposição aos E ou G, fazia sentido que a Heller, via Airfix, tentasse rentabilizar o modelo que produzia, com uma excelente relação qualidade preço, vendendo-o sob outra marca, particularmente popular entre os modelistas, e com rede de distribuição e um mercado que se justificava contemplar.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O Panzer KampfWagen II da Esci - 4ª parte

Os veículos que combatiam em África eram submetidos a condições particularmente duras, pelo que a pintura rapidamente passava a ter falhas, sobretudo nas zonas mais expostas, sendo visível nas fotos da época que todo o veículo, mas sobretudo as zonas inferiores, estavam quase sempre cobertas de poeira, que podia ser lama durante a época das chuvas, pelo que convém dar a este modelo um aspecto envelhecido.

Apesar de mais de quatro décadas, e de durante muito tempo ter sido o modelo mais acessível na escala 1/72, lembrando que o da Matchbox era na escala 1/76 e, apesar da pequena dimensão dos modelos, ser visualmente mais pequeno, o "kit" da Esci continua a ser interessante e perfeitamente utilizável, mesmo segundo os padrões actuais, pecando, sobretudo, pelas lagartas numa única peça que não são a opção ideal.

Para quem pretenda um "kit" do PzKfw II, esta continua a ser uma das opções a ter em conta, sendo certo de que, ao contrário dos seus sucessores, este modelo nunca foi um dos favoritos dos fabricantes de modelos, talvez porque as suas pequenas dimensões e desempenho pouco adequado não o tenha popularizado junto de modelistas e, sobretudo, de praticantes de jogos de guerra.

Quando comparado com outros carros de combate, como o PzKfw III na mesma escala que incluímos numa foto, o PzKfw II revela-se francamente pequeno, o que dificulta, por exemplo, a colocação de figuras, como as que representam os militares que, por vezes, aproveitavam a boleia dos tanques, ou de alguns acessórios mais volumosos, que ganham imediatamente uma aparência desproporcionada, mesmo que estando na escala correcta.

Por outro lado, este "kit" não contempla as versões mais importantes dos PzKfw II, as "C" ou "D", que foram a ponta de lança nas invasões da Polónia ou de França, tal como os produzidos pela "First To Fight", e se centra na "F", que surge numa altura em que este modelo estava completamente desactualizado e tinha um pequeno impacto no conflito, reduz a sua importância na História e em cenários de jogos de guerra.

Portanto, em parte como consequência de alguma escassez de rivais, e por ser a versão "F", não aquela que é produzida por alguns fabricantes, que optaram por versões mais antigas, o "kit" da Esci mantém-se em produção, agora através da Italeri, e continua a ser uma das miniaturas mais populares de entre aquelas que representam este carro de combate ligeiro, que teve uma importância superior aquela que as suas características podem dar a entender.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O Panzer KampfWagen II da Esci - 3ª parte

A pintura da torre, caso ainda não tenha sido efectuada, é muito semelhante à do resto do veículo, com o cano da metralhadora a ser pintado em negro metalizado e os periscópios em negro ou azul escuro brilhantes, que irão representar o vidro e todo o sistema óptico que este cobre e tanto pode reflectir o interior como a cor do céu.

A montagem da torre do PzKfw II é igualmente muito simples, sendo sobretudo de ter atenção ao alinhamento do canhão e da metralhadora na altura da respectiva colagem no mantelete e de verificar se após colocar o conjunto nos encaixes da torre, estes estão correctamente alinhados e móveis em altura.

Após colar as partes superior e inferior da torre, colam-se os acessórios, a cúpula, cuja escotilha pode ficar em posição aberta ou fechada, e a caixa de arrumações na traseira, bem como todas as pequenas peças que finalizam o processo de montagem, finalizando-se o conjunto com os retoques finais e colocando-o no respectivo lugar no modelo.

Os decalques fornecidos são de qualidade aceitável, permitindo diversas versões, e de aplicação simples, sobretudo tendo em conta que os blindados alemões possuiam poucas insígnias, resumindo-se à insígnia nacional, de unidade e os números identificadores na torre, acrescendo, no caso das unidades que combatiam em África, ao símbolo do "Afrika Korps", a célebre palmeira com uma suástica sobreposta que, em modelos mais recentes e face à legislação em vigor nalguns países, deixou de ser incluída ou foi modificada, omitindo a suástica.

Este "kit" inclui uma figura, idêntica à do modelo da Tamyia na escala 1/35, que deve ser pintada com o uniforme do "Afrika Korps", seguindo o esquema que mencionamos previamente para as figuras dos conjuntos que apresentamos, e pode ser colocada na escotilha, caso esteja aberta, ou sobre o veículo, dando assim alguma "vida" ao modelo.

Podem ser adicionados acessórios, como secções de lagartas, muito usadas também para reforçar a blindagem, depósitos de combustível e de água, essenciais no deserto, bem como caixas para munições ou víveres extra, e mesmo uma bandeira na zona superior, muito utilizada como símbolo de identificação aérea, evitando um ataque por parte de aviões amigos, conferindo assim um maior realismo ao modelo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O Panzer KampfWagen II da Esci - 2ª parte

A Esci fez um dos primeiros modelos em "kit" do PzKfw II na escala 1/72, escolhendo a popular versão "F", que foi posteriormente produzida pela Italeri, que ainda o mantém no seu catálogo, não obstante estarmos diante de um modelo com uma idade algo avançada, algo que se faz sentir a nível da qualidade do produto.

Este é um "kit" realmente simples, tal como o era o modelor real, com uma única fila de rodados e de rolamentos de cada lado, um desenho compacto, e escassos extras, resultando num modelo com apenas 62 peças, de pequenas dimensões que, apesar dos anos, continua a estar actual, mesmo que com qualidade inferior ao de alguns produtos bastante mais recentes.

Após pintar o modelo na cor base, que neste caso é o amarelo escuro utilizado pelos alemães no Norte de África, pintamos a borracha das rodas e rolamentos que sustentam as lagartas, em cor negra, podendo-se seguidamente construir o chassis, do que resulta o corpo do modelo, após o que se podem colocar as lagartas que, neste caso, são em borracha, moldadas numa única peça.

Dado que as lagartas são um pouco rígidas, sugerimos lastrar o modelo colocando algumas peças metálicas no interior, até que estas assentem completamente, podendo-se utilizar porcas ou peças similares, que vamos colando de forma a ficarem seguras e afastadas do anel da torre, que necessita de estar desimpedido para que esta seja colocada e rode livremente.

As lagartas podem ser pintadas em tom metálico ou de ferrugem antes de serem colocadas, podendo-se proceder aos retoques da zona inferior e lateral do chassis antes de estas serem colocadas, dado que limitam um pouco o acesso a algumas zonas, sobretudo nas proximidades dos guarda lamas e nas zonas anterior e posterior.

Seguem-se os detalhes e acessórios do chassis, incluindo faróis, visores ou ferramentas, estas com as partes em madeira em castanho e o restante em tom de metal, podendo-se retocar o conjunto nesta altura, ficando assim pronto para receber a torre.