segunda-feira, 23 de maio de 2016

Os "kits" da Matchbox - 4ª parte

Devemos realçar este conjunto, por ser inédito, e pela qualidade das figuras e rigor histórico, o que se pode dever ao facto de, na altura do seu lançamento, o conflito nas Falkland ter decorrido muito recentemente e, apesar de na escala 1/76, estas figuras se integrarem muito bem com modelos de aeronaves igualmente utilizadas na mesma campanha.

Noutro campo, completamente distinto e concorrendo directamente com a Airfix, a Matchbox apresentou uma linha de modelos de automóveis na escala 1/32, que incluiam, para além de grelhas em duas cores de plástico, uma grelha de peças cromadas e pneus em borracha, destacando-se imediatamente dos seus rivais, cujo modelo era inteiramente produzido num mesmo tom de plástico.

Todos os "kits" de veículos da Matchbox possuiam um interior extremamente detalhado, incluindo o motor, acessível removendo o capot, sempre que aplicável, podendo, no caso dos modelos de competição, incluir um piloto, sempre de excelente qualidade, composto por diversas peças, que adicionava realismo e vida ao conjunto.

Quando comparados com os seus congéneres da Airfix, os automóveis da Matchbox batiam-nos em todos os aspectos, apresentando uma qualidade muito superior e, mesmo sendo ligeiramente mais caros, a opção por estes era inevitável, devendo ainda hoje, mesmo face a produção mais recente, ser tidos em conta, com alguns modelos, como o célebre Tyrrel de 6 rodas utilizado na Fórmula 1, ou Bugatti 35B, a justificar a sua aquisição.

Em termos de miniaturas navais, a opção pela conhecida escala 1/720 foi seguida para a maioria dos modelos de navios de grandes dimensões, como, por exemplo, o "Graf Spee", um cruzador pesado alemão afundado no início da 2ª Guerra Mundial, mas surgiu, igualmente, uma corveta da classe "Flower" na escala 1/72.

Este "kit", de grandes dimensões, muito superiores às das lanchas torpedeiras da Airfix, era algo de raro, quase único na época, tendo um conjunto de detalhes só possível em escalas maiores, reproduzindo de forma excelente os detalhes e características de uma série de navios que foram usados durante o último conflito mundial, sendo ainda possível adquirir este modelo produzido pela Revell.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Os "kits" da Matchbox - 3ª parte

Tal sentiu-se sobretudo a nível de veículos militares, com os "Comet" ingleses, os SdKfz 251, os conhecidos "half track" alemães, ou mesmo o Panzer III, modelos que a Airfix não produzia, a que se seguiram diversos outros modelos, alguns dos quais vieram a ser produzidos mais tarde pela Revell, renovaram o panorama de miniaturas e os modelos utilizados em muitos jogos de guerra.

Mais tarde, a Matchbox lançou-se noutras escalas, produzindo aviões nas escalas 1/48 e 1/32, competindo aí com fabricantes conhecidos, como a Revell, sendo estes modelos de muito boa qualidade, com detalhes que os colocavam ao nível do que de melhor se produzia então, sem que com isso se tornassem excessivamente complexos ou demasiadamente dispendiosos.

O lançamento de alguns conjuntos de figuras veio complementar a oferta, sendo escolhidos os temas mais comuns, como as infantarias alemã, inglesa, americana, japonesa ou australiana, complementada pelas figuras adequadas ao teatro de operações do Norte de África, todas na escala 1/76, sendo que, nalguns casos, foram igualmente produzidas na escala 1/32, aumentando bastante a oferta deste fabricante.

Embora bem modeladas e produzidas em excelentes moldes, nem todas as poses eram de boa qualidade, sendo algumas pouco plausíveis e outras com pouca profundidade, verificando-se alguma falta de rigor histórico, o que, em muitos casos, as fazia perder para os mais antigos conjuntos da Airfix, acabando por ser mais um complemento do que uma alternativa face ao seu mais directo concorrente.

Para os seus conjuntos de figuras, a Matchbox adoptou um padrão muito consistente, normalmente com 49 figuras em 17 posições diferentes, incluindo um morteiro, muito simplificado e, quando aplicável, armas anti-tanque, começando a apresentar mais variações em conjuntos mais específicos, como o de "Comandos" ingleses, onde um bote insuflável substituiu algumas figuras.

Um último conjunto de figuras, designado por "NATO paratroopers", reproduz, na verdade, as forças inglesas que lutaram nas Falkland ou Malvinas, reconquistando esta ilha aos ocupantes argentinos, sendo o único conjunto que sai da temática da 2ª Guerra Mundial, vindo ilustrar um conflito que decorrera muito recentemente e que tem um significado especial para os militares britânicos.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O "Brummbar" da Esci - 4ª parte

É possível introduzir alguns melhoramentos neste modelo, tendo-se optado por reproduzir a "zimmerit", para o que recorremos ao betume da Tamiya, por ser o mais fácil de trabalhar, colocando sobre a superestrutura uma camada muito fina, que foi trabalhada com uma pequena chave de parafusos, dando assim o típico aspecto algo tosco deste tipo de revestimento.

Este é um trabalho moroso, que implica paciência e cuidado, sendo sempre de evitar tapar orifícios onde outras peças vão encaixar, o que impediria o seu correcto posicionamento, podendo-se, ainda, reproduzir alguns danos no revestimento, algo que acontecia com muita frequência durante as operações.

Outro melhoramento tem a ver com as blindagens laterais amovíveis que eram colocadas separadamente e que se destinavam a provocar a explosão prematura de projécteis, evitando que atingissem a blindagem principal, e que se danificavam ou perdiam com alguma facilidade, sendo descartadas quando excessivamente danificadas.

Optamos por remover alguns dos paineis de uma peça inteira, cortando-a, mas mantendo os suportes, de forma assimétrica, com a perda do painel dianteiro do lado esquerdo e de dois paineis traseiros do lado direito, tal como facilmente acontecia em combate, com as extremidades a serem mais vulneráveis do que os segmentos interiores.

Por uma questão de facilidade de pintura e montagem, dado que obstruem grande parte do modelo e dificultam o acesso à suspensão, as blindagens extra devem ser colocadas apenas na altura da conclusão do modelo, sendo depois retocadas as zonas onde possam existir marcas de colagem, naquele que será um dos últimos passos na conclusão do modelo.

Este "kit" do "Brummbar", não obstante a sua idade, continua a ser de excelente qualidade, reproduzindo fielmente a versão inicial este blindado e constituindo uma base para futuros melhoramentos, podendo, com algum trabalho, dar origem a um modelo perfeitamente compatível com o que de melhor se faz nos dias de hoje.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O "Brummbar" da Esci - 3ª parte

Seguindo as instruções, todo o processo de montagem é simples, sendo nossa opção deixar as escotilhas abertas e interromper a montagem, para efeitos de pintura, antes de colocar as blindagens laterais e os diversos extras incluídos, ficando com o veículo finalizado, com tudo o que na realidade era inamovível, o qual será pintado em conjunto.

Com mais de centena e meia de peças, estão presentes não apenas os elementos do veículo, que incluem todo o conjunto de ferramentas, mas alguns opcionais, como rodados sobressalentes, segmentos extra de lagartas ou "jerry cans", dando ao modelo um maior realismo e aproximação do veículo real, onde este tipo de equipamentos eram habituais.

Junto com o "kit" vêm duas figuras que representam elementos da tripulação, comuns a muitos modelos do mesmo fabricante, usados em veículos alemães de vários períodos da 2ª Guerra Mundial, os quais já não devem usar o uniforme negro do início da guerra, mas o padrão camuflado contemporâneo dos "Brummbar", podendo manter o antigo boné em negro, como forma de conservar um dos elementos mais tradicionais das forças blindadas.

Os "Brummbar", tal como os blindados alemães da mesma época, eram pintados em amarelo escuro, directamente sobre a "zimmerit", caso a tenham de fábrica, com a aplicação do padrão de camuflagem a ser da responsabilidade das tripulações, as quais recebiam um conjunto de tintas solúveis e instrumentos para a respectiva aplicação, resultando nalguma falta de uniformidade numa mesma unidade.

Quando o "zimmerit" era aplicado posteriormente, este era pintado com a cor base, e sobre esta a camuflagem, mas as insígnias e matrículas originais eram sobrepostos, pelo que as tripulações as pintavam de novo, normalmente de forma mais simples, sem os habituais "stencils", podendo estas resumirem-se ao número que o veículo tinha dentro da respectiva unidade.

Já com a pintura finalizada e os números pintados, pode-se dar uma pequena aguada com tinta negra, que irá escorrer nos recessos da "zimmerit", realçando a sua textura, pincelar ligeiramente os rodados com um tom acastanhado, a imitar terra, e terminar com uma nova aguada, acastanhada, sobre todo o modelo.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O "Brummbar" da Esci - 2ª parte

Foram efectuadas diversas tentativas de melhoramento, passando pela redução de peso, com efeito positivo na fiabilidade, e, a partir de Setembro de 1944, deixou de ser aplicada "zimmerit", a pasta anti-magnética que impedia a fixação de minas na blindagem, com as últimas séries do "Brummbar", que elevaram a produção para um total de 306 unidades, a apresentarem um melhor desempenho, apenas penalizado pela escassez de meios e a falta de tripulações treinadas que então condicionava o exército alemão.

O modelo da Esci, posteriormente reeditado pela Italeri, já tem algumas décadas, mas continua a ser dos melhores que, na escala 1/72, reproduzem este blindado, tendo um conjunto de detalhes que, na época do seu lançamento, o colocavam entre o que de melhor então se fazia.

Nesta altura, a Esci tinha abandonado as lagartas numa única peça flexível, substituindo-as por um conjunto de peças que reproduzem os vários elos e que acompanham de forma muito mais realista os contornos dos rodados, resultando num aspecto final muito superior, se bem que para tal seja necessário bastante mais trabalho e o modelo resulte mais frágil, dada a maior complexidade e número de peças.

Tal como a maioria dos "kits" da Esci, a montagem inicia-se pela parte inferior do chassis, que deve ser pintada após concluída, seguindo-se os rodados, que devem ser colados em posição depois de devidamente pintados e retocados, num processo simples mas moroso, onde a maior atenção são a geometria e os alinhamentos.

Nesta altura devem-se colocar sobre os rodados, colando, as várias peças individuais que compõe as lagartas, que previamente foram pintadas em vermelho acastanhado, sendo de começar pela peça de maiores dimensões, que fica na parte inferior, e seguidamente ir colando as restantes, de modo a fechar a lagarta, tendo atenção à orientação dos elos e ao respectivo alinhamento.

Esta é, indubitavelmente, a parte mais trabalhosa, que pode ser algo fastidiosa, sendo de efectuar os retoques deste conjunto antes de passar à montagem da superestrutura, a qual envolve menos peças, concentrando-se numa peça de grandes dimensões que reproduz a parte superior, na qual são sucessivamente coladas as peças de menores dimensões e o próprio canhão.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O "Brummbar" da Esci - 1ª parte

Durante os anos finais da 2ª Guerra Mundial, a necessidade de acelerar a produção de veículos blindados, aumentando o poder de fogo e blindagem, bem como a mudança de tácticas, que no caso do exército alemão passaram a ser sobretudo defensivas, condicionou substancialmente os novos modelos que foram surgindo, sobretudo a partir de 1943.

Uma das opções mais utilizadas foi recorrer a chassis de veículos ultrapassados, em termos da sua função inicial, convertendo-os de modo a poder instalar uma peça de maiores dimensões, o que permitiu manter em produção diversos modelos, que de outra forma teriam sido abandonados.

No caso dos Panzer Kampfwagen IV, ao serviço desde o início da guerra, era patente que, apesar dos sucessivos melhoramentos, que passaram pelo aumento da blindagem, da melhoria do armamento, da substituição do motor, entre outras, a concepção tinha sido ultrapassada pela dos modelos mais recentes, pelo que muitos dos chassis deixaram de dar origem a tanques, sendo utilizados para outros fins.

Uma das conversões mais famosas, e mais eficazes, foi o "Brummbar", um canhão de assalto destinado a fornecer apoio próximo a forças blindadas, capaz de operar na linha da frente e seguir de perto as unidades avançadas, missões em que se revelou particularmente eficaz, não obstante algumas óbvias limitações.

Instalar uma peça de 150 mm SiG 13 no chassis de um PzKfw IV implicou remover a torreta giratória e instalar uma superestrutura fixa, de grandes dimensões, onde cabiam um total de 38 munições, com a carga propulsora separada, para além dos cinco elementos da tripulação.

A blindagem frontal era de 100 mm, resultando num peso algo excessivo, que implicava um esforço adicional para o motor V-12 Maybach HL 120 TRM de 300 cv e, sobretudo, para a suspensão e transmissão, que, conjuntamente com a silhueta, eram as fraquezas mais evidentes deste modelo.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O Messerschmitt Bf 109E Trop da "Easy Model" - 3ª parte

Colocar o trem de aterragem recolhido, sendo possível com algum trabalho, que implica separar as portas da estrutura e reduzir a espessura das rodas, acaba por não fazer sentido, face às dificuldades em colocar uma figura que represente o piloto, pelo que esta miniatura se destina simplesmente a representar um avião em terra.

Mesmo para um avião em terra, o "cockpit" fechado e a quase impossibilidade de remover o "capot", moldado conjuntamente com a fuselagem, não permite muito mais do que representar uma aeronave parqueada, relativamente à qual não se efectua nenhuma acção directa de relevo, podendo, eventualmente, estar em processo de abastecimento, para o que poucas alterações são requeridas.

Pode-se "envelhecer" o modelo, adicionando marcas de uso nos locais mais expostos, alguma sujidade, lama ou poeira no trem de aterragem, tal como recorrer a um verniz fosco para eliminar algum brilho que confere à pintura um aspecto algo artificial, ou complementar a decoração com insígnias e avisos que estão em falta, podendo-se ainda remover o triangulo avisador do tipo de combustível, no caso de 87 octanas, que se encontra do lado direito e era inexistente no avião real e adicionar a antena de rádio, para a qual apenas o mastro está presente.

Caso se opte por melhorar este Bf 109E Trop, o modelo da "Easy Model" pode facilmente ser incluído num cenário, em substituição de um "kit", com os elementos cénicos envolventes a desviar a concentração da atenção deste avião, podendo mesmo obstruir a visão para algumas pequenas falhas, que assim podem ser disfarçadas ou ocultadas.

A falta de opções e alguma dificuldade nalguns melhoramentos, são igualmente condicionantes a ter em conta, tal como a simplificação de alguns elementos, seja no modelo, seja na sua finalização, sendo patentes algumas óbvias omissões como forma de manter o preço a um nível competitivo, mesmo face aos "kits" mais acessíveis que se podem encontrar no mercado.

Para quem tenha dificuldades em finalizar um "kit", as miniaturas da "Easy Model" são um substituto adequado e com um preço em conta, podendo dar origem a uma colecção interessante, mas os mais experientes facilmente se irão aperceber de que o aspecto, algo artificial, caso não se proceda a alguns melhoramentos, dificilmente pode competir contra um "kit" bem finalizado.