sexta-feira, 29 de abril de 2016

O Messerschmitt Bf 109E da Matchbox - 3ª parte

Caso se opte pela posição de voo, pode-se recorrer ao suporte orientável que a Matchbox fornecia, composto de três peças, a última das quais era pressionada, mantendo o movimento, o que permitia posicionar o modelo no angulo pretendido, desde que respeitando o respectivo equilíbrio.

O suporte da Matchbox tinha uma óbvia vantagem relativamente ao da Airfix, concretamente o ser orientável, mas possuia uma desvantagem, pois o seu concorrente tinha um pequeno "dente" na parte superior, que permitia prender melhor o modelo, mesmo havendo alguma folga, situação na qual o suporte da Matchbox se revelava particularmente ineficaz, obrigando sempre a manter alguma pressão que nunca podia ser demasiada, sob pena de danificar o "kit".

Não deixa de ser interessante colocar este "kit" da Matchbox junto do modelo da Airfix, que, como referimos, era mais dispendioso, pelo que incluía outro tipo de opcionais, facto que, para efeitos comparativos, não é relevante, cingindo-nos ao modelo, sem ter em conta os conjuntos de carga externa.

Tal como acontecia com as séries da Airfix, a Matchbox tinha um sistema próprio de classificação, com cores distintas, a cada qual correspondia um determinado preço, com este modelo a ser incluído na mais acessível, de cor púrpura, enquanto o seu congénere da Airfix estava na "Serie 2", a segunda em termos de preço crescente, sendo, portanto, perto de 30% mais caro.

O modelo da Airfix, sendo o primeiro Bf 109E deste fabricante, não é o primeiro Bf 109 que produziu, tendo começado pela versão G6, francamente inferior, sendo patente que aprendeu muitas lições que permitiu corrigir erros e implementar inúmeros melhoramentos, mesmo que disso tenha resultado um preço de venda mais elevado, enquanto o "kit" da Matchbox é o primeiro Messerschmitt deste fabricante, e um dos primeiros "kits" que produziu, pelo que não existia uma experiência anterior.

Tal podia, naturalmente, beneficiar a Airfix, que, tendo maior experiência, apresenta o modelo mais dispendioso, mas o facto é que o "kit" da Matchbox não fica mal no confronto, sendo penalizado, sobretudo, pela zona do "cockpit", demasiadamente simplificado, bem como pela respectiva transparência, onde a estrutura tem uma configuração pouco realista, sem que tal comprometa o resultado final.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O Messerschmitt Bf 109E da Matchbox - 2ª parte

Em termos de desenho do "kit", a Matchbox segue um processo diferente da Airfix, sobretudo no respeitante às asas, optando por moldá-las em dois pares de peças quase simétricas, que constituem as superfícies superior e inferior, enquanto a Airfix nesta altura, e para modelos com esta configuração, fornecia numa única peça toda a superfície inferior das asas.

Devemos dizer que, em termos genéricos, a opção da Airfix é a melhor, resultando numa menor linha de colagens, implicando menos correcções para fazer desaparecer as uniões das peças, e num modelo mais sólido e com menos problemas de alinhamentos, sendo mais simples posicionar correcta e simetricamente as asas em relação à fuselagem.

Colar as asas na fuselagem, no angulo correcto e perfeitamente simétrico é o passo mais complexo, sendo que neste caso fazer desaparecer as linhas resultantes da união das peças é mais trabalhoso do que no modelo da Airfix, um pouco mais complexo e com mais opcionais mas com um preço, na época, mais elevado.

Nesta altura, pode-se pintar o modelo e adicionar as restantes peças, que incluem desde a transparência do "cockpit", previamente pintada, a antena e aos canos dos canhões, finalizando com o trem de aterragem, simplificado, composto de roda, estrutura e tampa, e que pode ser posicionado em posição de terra ou de voo.

A Matchbox fornecia sempre os decalques para duas versões para os modelos desta série, sendo que no caso deste "kit" um era para um avião alemão a operar no Norte de África, com o habitual padrão para este teatro de operação, enquanto o segundo era para um aparelho da Força Aérea Romena, que combateu na frente Leste, pintado no mesmo esquema que a Luftwaffe usava na Europa.

Os decalques da Matchbox eram, para a época, de muito boa qualidade, e o facto de, ao contrário de outros fabricantes, contemplarem sempre duas decorações distintas, mesmo que simplificadas, valorizavam-nos face à concorrência, sendo muito fáceis de aplicar e aderindo perfeitamente nas superfícies, incluindo recessos, algo que nem sempre sucedia com os da Airfix seus contemporâneos.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

O Messerschmitt Bf 109E da Matchbox - 1ª parte

Para ilustrar a diferença entre modelos que recorrem a rebites e os que usam linhas divisórias, decidimos apresentar o antigo modelo da Matchbox, datado de 1972, que reproduz o Messerschmitt Bf 109E, apresentando, desde já, o nosso pedido de desculpas por alguns erros na finalização deste "kit", naturais para um modelista então muito pouco experiente.

Tal como em casos anteriores, remetemos para os textos anteriores todo o resumo histórico, incluindo a pintura e decoração, dado que esta é idêntica a uma versão tropical da JagdGeschwader 27 de um modelo da Airfix, variando apenas o número de chamada, restringindo-nos ao "kit" e, neste caso, ao processo de montagem.

Este "kit" é exemplificativo da primeira geração lançada pela Matchbox, com modelos muito simples, extremamente bem moldados, sobretudo quando comparados com outros produzidos na mesma época, compostos por um par de grelhas em plástico de cores diferentes, e numa terceira que inclui as transparências, acrescendo, naturalmente, instruções e folha de decalques.

Tal como noutros modelos, começa-se a montagem deste Bf-109E pintando o interior, muito simplificado e que consta praticamente do assento, onde é posicionado o piloto, com o conjunto a ser colado numa das metades da fuselagem, recorrendo a um par de suportes, após o que se pinta o conjunto do hélice e respectivo cone.

Tal como acontece com a Airfix, todos os pilotos da Matchbox para um dado período são iguais, independentemente da nacionalidade, sendo, na nossa opinião, inferiores aos melhores exemplares do seu rival, com a principal diferença na ausência do colete de salvação, sendo que, num modelo como o do Bf 109E, onde a figura fica pouco visível, tal acaba por ser pouco relevante.

Ao fechar a fuselagem e colocar o "capot", colando-o, o hélice fica preso, podendo ser rodado, sendo necessário muito pouco trabalho para fazer desaparecer qualquer marca da junção das peças, após o que se pode adicionar os lemes e respectivos suportes, verificando sempre o alinhamento e a simetria.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Os rebites nos modelos - 2ª parte

Com o avanço da tecnologia de moldes, e mesmo de projecto, os rebites foram desaparecendo, mesmo nos modelos nas escalas mais reduzidas, dando origem a linhas em profundidade, muito mais realistas e de acordo com a realidade, ficando os rebites reservados aos modelos e locais onde realmente se encontravam no modelo original, mantendo-se, por exemplo, nos modelos de carros de combate da Grande Guerra, que recorriam a este tipo de construção.

Alguns fabricantes, como a Matchbox, nunca optaram pelos rebites, mesmo nos primeiros modelos que produziram, pelo que comparar um modelo deste fabricante com o seu equivalente da Airfix, permite facilmente aferir das diferenças técnicas e qual o tipo de resultado resultante das opções seguidas, com este último fabricante a deixar de recorrer aos rebites em muitos modelos ou reduzir substancialmente o número, como no exemplo das fotos, ambos de asas de um Messerschmitt Bf 109E.

Aliás, diversos fabricantes optaram por redesenhar modelos, removendo os rebites inexistentes na realidade e substituindo-os por linhas divisórias dos paineis, aproveitando, obviamente, para corrigir alguns erros e adicionar novos detalhes, que podem ser mais ou menos visíveis, mas que, indiscutivelmente, terão menor visibilidade do que a omissão dos rebites inexistentes na realidade.

Também já vimos diversos modelistas lixar rebites, obtendo uma superfície lisa e, recorrendo a um bisturí, substituí-los por linhas divisórias, num trabalho que requer uma excelente precisão e está ao alcance de muito poucos, justificando-se apenas quando não exista uma melhor reprodução de um dado modelo e se pretenda um resultado final superior ao que é proposto pelo fabricante.

Os modelos onde os rebites substituem linhas divisórias pertencem ao passado, sendo esta uma técnica que já não é utilizada e, caso o fosse, não seria tolerada em modelos recentes, mas que subsistem em inúmeros modelos que, passadas largas décadas, se mantêm em produção, sendo o melhor exemplo alguns dos que ainda se encontram no catálogo da Airfix, entre estes diversos "kits" que permanecem únicos, não obstante a sua idade.

Assim, salvo casos excepcionais, ou quando se trate da única reprodução de um dado modelo, desaconselhamos adquirir "kits" que recorram extensivamente a rebites, sobretudo quando estes, de forma irrealista, substituam outra forma de delimitar paineis ou áreas, optando por modelos onde estes tenham sido substituídos por simples linhas divisórias, tal como acontece na realidade.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Os rebites nos modelos - 1ª parte

Durante décadas, muitos fabricantes de modelos, com predominância para a Airfix, optaram por recorrer ao que podemos considerar como réplicas de rebites como forma de delimitar paineis, resultando num aspecto que diversos modelistas designavam por "raladores de queijo".

Esta opção deriva de uma maior facilidade na produção dos moldes, sendo esta opção pelos rebites a mais simples e prática, sobretudo em modelos de menores dimensões, ficando as linhas destinadas essencialmente a delimitar superfícies móveis, como lemes ou "ailerons".

É de notar que estas linhas podiam ser em relevo, o que sendo mais simples em termos de produção de moldes, é menos realista, ou em recesso, o processo mais complexo, mas o de melhor efeito e aquele que reproduz mais fielmente a realidade, podendo, quando os equipamentos eram menos precisos, resultar nalguns danos nas peças.

Naturalmente, nem todos os rebites correspondem a erros, dado que esta técnica de fixação estava presente em inúmeros veículos e aeronaves, fixando paineis nas respectivas estruturas de suporte, mas quando substituem outros elementos ou surgem em superfícies soldadas ou coladas, tal representa um erro flagrante.

Acresce a questão das dimensões, em parte resultante da escala reduzida e da precisão do equipamento, bem como das características do próprio material, pelo que os rebites num pequeno modelo na escala 1/72, caso aumentados para a dimensão real, ficariam enormes, completamente desproporcionados e, no caso dos aviões, resultando em perturbações aerodinâmicas que em muito penalizariam o desempenho da aeronave.

Nalguns casos, como no caso do primeiro Messerschmitt Bf 109F que a Airfix produziu na escala 1/48, a opção foi por um sistema misto, com rebites na fuselagem e linhas divisórias nas asas, onde a opção por rebites, sobretudo nesta escala, teria um efeito negativo numa superfície de dimensões significativas e particularmente visível, sem obstáculos ou padrões que atenuem ou disfarcem este tipo de elementos.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O Focke Wulf 190A-8 da Italeri - 2ª parte

Para quem previlegie o preço, consideramos como o modelo da Academy, e por vezes mesmo o da Airfix, aqueles que podem ser adquiridos por um valor mais baixo, com o primeiro a aproximar-se, em termos de qualidade, do modelo da Italeri, enquanto os segundo, no caso da versão mais recente, se revela como francamente superior, justificando bem a sua escolha.

Uma opção a ter em conta para os principiantes é o conjunto que inclui este "kit" e cola, duas tintas e pincel, que, não sendo tudo o que é necessário para finalizar o modelo, apresenta uma relação preço qualidade vantajosa e pode ser completado por um valor mínimo, que corresponde a mais um par de tintas.

Sendo sólidos, sobretudo com o trem de aterragem recolhido, podem ser utilizados com alguma segurança em jogos de guerra, sendo que neste caso sugerimos envernizar o modelo, evitando danos na pintura e decalques durante a inevitável manipulação, revelando-se uma excelente presença em cenários, mesmo face a modelos muito mais recentes.

Para serem utilizados em posição de voo, é necessário adicionar um suporte, não incluído, mas que pode ser proveniente de outro modelo ou, caso se pretenda, contruído, tal como exemplificamos em textos anteriores, para o que, quase certamente, se tem que abrir um orifício no modelo, onde vai encaixar o suporte.

Na fase de montagem, é muito simples adicionar a estes modelos um motor eléctrico, tirando partido do maior espaço interior e mesmo do "capot" separado, o que permite, caso necessário, o acesso ao interior, tornando-se possível efectuar pequenas reparações sem danificar o modelo.

Esperamos que este conjunto de fotos, mais do que quaisquer palavras, permitam avaliar este pequeno FW 190A-8, já com alguns anos, mas que continua em produção, actualmente como parte de um conjunto que inclui algumas tintas, como forma de facilitar a iniciação ao modelismo, fornecendo parte do material necessário à finalização do "kit".

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O Focke Wulf 190A-8 da Italeri - 1ª parte

Conforme prometido, publicamos um texto sobre o Focke Wulf 190A-8 da Italeri, na escala 1/72, um modelo que, em termos de concepção se aproxima muito da versão "Dora 9" do mesmo fabricante, pelo que todo o processo de montagem e pintura referentes a este "kit" são aqui aplicáveis, enquanto em termos históricos, remetemos para os textos sobre o modelo do mesmo avião produzido pela Airfix.

Portanto, o objectivo é o de apresentar algumas fotos deste modelo, montado em posição de terra e perfeitamente compatível com o "Dora 9" do mesmo fabricante, podendo ser exibidos em conjunto, como parte de um cenário mais complexo referente aos últimos meses da 2ª Guerra Mundial, caso as pinturas e insígnias de unidade sejam compatíveis.

Optamos, igualmente, por recorrer a uma figura da Preiser em substituição da original, que se encontrava sentada no assento, ideal para um avião em voo, e que pode ser utilizada noutro modelo da mesma nacionalidade e período, colocando igualmente o "cockpit" aberto, sendo patente a similaridade deste com o "Dora 9" do mesmo fabricante.

Os dois modelos de que dispomos foram finalizados com esquemas distintos, bem como carga externa diferente, reproduzindo avióes de caça do último período da guerra, com o esquema de pintura e insígnias simplificados, numa altura em que a pressa era muito e várias matérias primas escasseavam, pelo que várias aeronaves demonstravam ter sido finalizadas e postas ao serviço saltando algumas etapas no processo de finalização.

A falta de sinais de aviso, de algumas insígnias, do primário em diversas peças, ou mesmo a ausência de alguns equipamentos internos, era frequente, tal como os padrões de pintura fora dos regulamentos, muitas vezes através da substituição de tintas constantes do esquema oficial pelas que ainda se encontravam disponíveis num momento em que todo o sistema logístico alemão se desmoronava.

As observações qualitativas são as mesmas do "Dora 9", aliás, podendo-se extender facilmente a outros modelos, como os "Spitfire" ou os Messerschmitt Bf 109 deste fabricante, sendo este um dos modelos de Focke Wulf que se podem encontrar a preços mais acessíveis, normalmente abaixo da dezena de Euros, mas que, no limite, é possível adquirir em leilões por valores francamente inferiores.