sexta-feira, 24 de junho de 2016

O Messerschmitt Bf 109B-1/C-1 da Heller - 3ª parte

Depois de alguns protótipos e versões iniciais equipadas com o motor Rolls Royce Krestel, os Bf 109 receberam os Jumo e, posteriormente, os Daimler Benz DB 600 e 601, de produção nacional, o que era considerado essencial face a uma guerra que se perspectivava, evitando assim dependências de fornecimentos de um país que podia vir a alinhar pelo campo adversário.

A versão B era equipada com o motor Jumo 210D, com 661 cavalos de potência, que acionavam um hélice de duas pás, inicialmente de passo fixo e posteriormente de passo variável, estando armados inicialmente apenas com um par de metralhadoras no "capot", o que era francamente insuficiente, tendo sido estudadas várias opções, incluindo uma arma adicional a dispara pelo veio do hélice, do que resultavam vibrações excessivas, tendo a ideia sido abandonada.

Outra tentativa de colocar metralhadoras e mesmo os canhões FF nas asas, demonstrou que estas necessitavam ser reforçadas, pelo que esta versão, da qual foram construídas um total de 341 unidades, em diversas versões e variantes, se revelou inadequada, tendo sido substituída pela versão C.

Os Bf 109 da versão C eram identificáveis pela hélice de duas pás e por estarem armados com um par de metralhadoras sobre o "capot" e outro par nas asas, uma configuração que parecia interessante na época, mas que rapidamente demonstrou ser inadequada, tendo o motor Junkers Jumo 210G, de 690 cv, a apresentar alguns problemas.

Após terem sido produzidos apenas 58 Bf 109C, de todas as versões, deu-se início á produção da versão D, com o Daimler Benz DB 600 a ser rapidamente trocado pelo DB 601, com injecção directa de combustível, tendo sido produzidos um total de 647 aviões, dos quais apenas 235 estavam ao serviço da Luftwaffe no início da 2ª Guerra Mundial e poucos terão sido utilizados, salvo os que foram destinados a missões noturnas.

Assim, a vida operacional dos Bf 109 B e C resumiu-se, essencialmente, à guerra em Espanha, com os aviões que integraram a "Legião Condor" a ficarem ao serviço da força aérea espanhola, tendo as insígnias típicas desta unidade, compostas por um círculo negro com um "X" em branco, sido substituídas pelos "cocares" nacionais utilizados até hoje em Espanha.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O Messerschmitt Bf 109B-1/C-1 da Heller - 2ª parte

Quando comparados com os seus concorrentes mais directos, a Heller tinha uma franca vantagem, com os modelos de aviões a apresentar linhas irrepreensíveis, uma gravação impecável, sem recurso a rebites, e um interior francamente sofisticado, que, curiosamente, nunca incluía a figura do piloto.

Ao contrário de outros concorrentes, a Heller produzia a maioria das versões dos Messerschmitt Bf 109 que entraram em combate, começando na B e terminando na K, passando pela C, E, F e G, propondo alguns modelos até então inéditos, como os C e D, presentes na guerra civil de Espanha, e os últimos K, com o "cockpit" pressurizado, todos eles recorrendo a moldes individuais, sem partilha de componentes.

O modelo da Heller sobre a qual nos debruçaremos é o Messerschmitt Bf 109B-1 e C-1, utilizados operacionalmente em durante a guerra civil espanhola, onde já tinha sido utilizada a versão A, e que seria sucedido, ainda no mesmo conflito, pelos D e pelos primeiros Bf 109E, nomeadamente os E-1, que não chegaram, tal como as versões anteriores, a participar na 2ª Guerra Mundial.

Seja por razões políticas e ideológicas, seja antecipando e preparando um conflito em larga escala, a Alemanha envolveu-se na guerra civil Espanhola apoiando os nacionalistas do general Franco contra as forças da república, que contavam com o apoio da maioria dos restantes países, incluindo a União Soviética, e era suportada por largos contingentes internacionais.

Para a Alemanha, Espanha era um excelente cenário para testar novos meios de combate, sem um envolvimento demasiadamente directo, nem assumir muitos riscos, enquanto experimentava novas tácticas e permitia aos seus pilotos ganhar experiência em situações reais, factor que foi determinante nas fases iniciais da 2ª Guerra Mundial.

A força aérea alemã operava em Espanha integrada na "Legião Condor", uma unidade onde alguns dos mais conhecidos ases se iniciaram no combate e que contribuiu em muito para o aperfeiçoamento das tácticas aéreas, para a organização das unidades, e para corrigir erros e melhorar alguns dos modelos de aviões, alguns deles, como os Heinkel He 111 ou os Messerschmitt Bf 109, foram substancialmente melhorados como consequência das lições obtidas durante esse uso operacional.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O Messerschmitt Bf 109B-1/C-1 da Heller - 1ª parte

A Heller é um fabricante de origem francesa com um longo historial no mundo das miniaturas, onde teve ligações a diversos fabricantes, entre estes a Airfix, cujos modelos, na altura do seu lançamento, se encontravam entre o que de melhor se produzia, ostentando uma excelente relação entre qualidade e preço.

Curiosamente, a Heller, não obstante a qualidade dos seus modelos, nunca se encontrou entre as marcas mais conhecidas no mercado, nem entre as favoritas de muitos modelistas, nem mesmo quando produziu conjuntos que originalmente pertenciam à Airfix, cedidos durante o período de maiores dificuldades que quase terminaram com a existência daquela que continua a ser a mais emblemática marca de "kits".

A Heller oferece um conjunto de modelos variados e interessantes, que vão desde uma linha de entrada, com "kits" simplificados produzidos em escalas variáveis, de modo a que possam caber numa caixa de dimensões idênticas e serem vendidos ao mesmo preço, a reproduções de navios em escalas 1/100 ou 1/75, resultando, quando finalizados, em peças fora de série, passando por numerosas outras linhas intermédias.

Outro facto interessante é o de a Heller dar um especial ênfase à reprodução de modelos de produção nacional, pelo que veículos, militares e civis, navios, aviões ou figuras de origem francesa merecem um destaque muito particular, sendo possível encontrar alguns "kits" absolutamente únicos, que incluem reproduções de modelos específicos com interesse histórico.

Naturalmente que esta opção torna a Heller especialmente popular em França, onde "kits" dos aviões ou carros de combate utilizados por este país no início da 2ª Guerra Mundial eram quase impossíveis de encontrar, sendo igualmente uma favorita entre os adeptos dos modelos de automóveis, que encontram na sua produção excelentes miniaturas de Citroen ou Renault, muito populares ainda durante os dias de hoje.

Durante os anos oitenta, só através da Heller era possível encontras modelos na escala 1/72 dos Bloch, Dewoitine ou Potez, entre muitos outros, mas a produção ia mais longe, incluindo "kits" de aviões de outras nacionalidades participantes no mesmo conflito, propondo, nalguns casos versões completamente inéditas e que concorriam muito favoravelmente contra a Airfix ou a Matchbox.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Os "Mini Kit" da Airfix - 4ª parte

No entanto, para além do preço, a escala 1/100, menos utilizada do que a 1/72, não contribuia muito para a popularidade desta série, nem sequer entre os adeptos dos jogos de guerra, que adoptaram a escala 1/144, a mesma que é sugerida em diversos conjuntos de regras, como as da "Flames of War", e na qual existe uma muito maior variedade de modelos.

Devemos dizer, tal como mencionamos no passado, que os aviões na escala 1/100 serão tão compatíveis com modelos de veículos na escala 1/72 ou 1/76 como o serão os aviões na escala 1/144 com elementos em terra na escala 1/100, mas o facto é que tal opção parece ter poucos seguidores, remetendo os aviões na escala 1/100 para fora do ambiente da maioria dos jogos de guerra.

Se adicionarmos os problemas de impressão das cores, são vários os factores a contribuir para a escassa popularidade destes modelos, o que determinou o termo desta aventura, pelo que a Airfix voltou a centrar-se apenas nos "kits" convencionais, ou seja, naquilo que faz de melhor.

Finalmente, dado que a opção foi por reproduzir alguns dos aviões mais populares de sempre, existe uma infinidade de alternativas, nas mais diversas escalas e versões, algumas das quais de excelente qualidade, pelo que não será por ser uma reprodução inédita ou rara que alguém irá adquirir um destes "Mini Kit".

Naturalmente que, para modelistas pouco experientes, ou que tenham pouco tempo, esta pode ser uma opção a ter em conta, caso aceitem as imperfeições inerentes a este tipo de concepção, sendo que, dependente do angulo e da finalização de cada modelo específico, que é qualitativamente bastante variável, permite construir rapidamente uma pequena colecção temática.

Não obstante as excelentes linhas e qualidade de moldagem exemplar, a que se pode contrapor alguma falta de detalhes, salvo para fins muito específicos e que se enquadrem na escala em que são produzidos, os "Mini Kit" da Airfix não constituem uma alternativa a "kits" convencionais, pelo que apenas serão recomendáveis a colecionadores ou aos numerosos fãs deste icónico fabricante.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Os "Mini Kit" da Airfix - 3ª parte

No caso desta versão de Bf 109F, e é bom não esquecer que a cada modelo correspondiam diversas decorações, obviamente vendidas individualmente, o método mais simples é adicionar o padrão de camuflagem habitual na parte superior da fuselagem e manchas de cor verde nas laterais, adicionando alguns retoques negros onde, por questões relacionadas com a moldagem, falta tinta, como nas rodas e hélice.

Pode-se colocar as suásticas na cauda, a antena do rádio e, no final, envelhecer o modelo e adicionar marcas de sujidade, seguindo os procedimentos habituais nos "kits" convencionais e que descrevemos anteriormente por diversas vezes em textos já publicados.

Obviamente, no caso de um modelo com uma pintura de uma só cor, sem padrões de camuflagem, apenas afinar correctamente as cores podia permitir ocultar as zonas de colagem, sendo que esta solução complexa pode não resultar como esperado, pelo que a alternativa seria repintar o todo o modelo, do que resulta a perda das vantagens propostas nesta série.

Uma simples aguada em cor escura e modificar ligeiramente a base, de forma quadrada, adicionando um pequeno relevo ou textura e finalizando-a de forma semelhante ao sugerido em textos anteriores, dando o aspecto de uma pista de terra batida, pode também contribuir para dar a este pequeno modelo um aspecto e um enquadramento mais realista.

Neste caso, ainda acrescentamos uma pequena árvore, proveniente de um conjunto de 16, que pode ser adquirida no EBay por um valor muito baixo, devendo ser efectuado um pequeno furo onde o tronco é introduzido, após o que é aplicada cola instantânea para uma fixação defenitiva.

Estes modelos tinham um preço que rondava a dezena de Euros, o que, para um avião de pequenas dimensões como um Bf 109F ou um "Spitfire", é pouco competitivo face a um "kit" convencional, mesmo tendo em conta que são fornecidos completamente pintados, do que resulta uma óbvia poupança de materiais de modelismo que, neste caso, se podem resumir a cola para plástico, muitas vezes existente para outros fins.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Os "Mini Kit" da Airfix - 2ª parte

Num "kit" comum, após a montagem e antes da pintura, todas as zonas de junção das peças são regularizadas, de modo a que fiquem invisíveis, algo que, quando o modelo se encontra pintado nesta fase, não pode ser efectuado da mesma forma, sendo a única opção a de retocar os locais onde as correcções sejam efectuadas.

Naturalmente, sendo o modelo pintado na fábrica, o modelista poderá não dispor da cor exacta, pelo que o retoque pode implicar afinar cores, algo complexo e cujo resultado nem sempre é o melhor, mas as correcções podiam ter que ir mais longe, nomeadamente quando padrões de camuflagem de duas peças contíguas não têm o seguimento correcto, dando origem a quebras.

Assim, em muitos casos, o que poderia ser uma simplificação particularmente bem vinda, pode ser exactamente o contrário, dando origem a todo um conjunto de problemas que, pela sua invulgaridade, não são tão fáceis de enfrentar como aqueles a que os modelistas estão mais habituados e para os quais desenvolveram todo um conjunto de truques e de automatismos.

Exemplo deste tipo de problemas, que acabaram por resultar na eliminação desta série do catálogo da Airfix, é o Messerschmitt Bf 109F, numa decoração para a Europa, onde surge a necessidade de eliminar as linhas resultantes da união das peças da fuselagem e das asas, bem como a de ocultar ou disfarçar pinturas de cor diferente que, após a montagem, ficavam contíguas.

Se a montagem é extremamente simples, podendo ser rapidamente finalizada, os acabamentos, caso se pretenda que este se aproxime do de um "kit" convencional, acaba por ser complexo, passando por diversas camadas de tinta, refazendo padrões de camuflagem, que irão ocultar as zonas de colagem das peças e as pequenas frestas que, sem finalização adequada, serão sempre visíveis.

Sem suporte, nem opção para uma versão em posição de voo, a qual implica algumas modificações, nem sempre complexas, mas trabalhosas, este modelo fica limitado a ser posicionado na base negra e com o nome do avião impressa, que vem incluida no conjunto e, consideramos, é um valor acrescentado para os colecionadores.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Os "Mini Kit" da Airfix - 1ª parte

À semelhança de outros fabricantes, como a Bandai ou a Furuta, também a Airfix disponibilizou uma linha de modelos pré-pintados, que apenas requeriam uma montagem simplificada para ficarem concluídos, tendo optado pela escala 1/100, razão pela qual foram designados oficialmente por "Mini Kits".

Foram selecionados alguns modelos de avião que, para além de conhecidos, permitissem diversas decorações, pelo que os "Spitfire", Messerschmitt Bf 109F, P-51D "Mustang", Focke Wulf 190A ou, para citar um avião a jacto, o Grumman F-14A "Tomcat", constituiram a escolha lógica para uma série que acabou por ser composta por poucas referências e ter uma longevidade curta.

No fundo, esta série era muito semelhante aos modelos da Furuta, apenas variando na escala, neste caso a 1/100, contra a 1/144 do concorrente asiático, com cada modelo a receber diversas decorações, o que permitia com um mesmo molde dar origem a várias referências, o que permite, com alguma facilidade, dar origem a uma colecção variada, mesmo que baseada num número restrito de modelos de base idêntica.

Também foram selecionadas decorações de aviões conhecidos, sempre os mais apetecíveis pelos modelistas, sendo exemplo o Messerschmitt Bf 109F com a matrícula "14" em amarelo, pilotado por Hans Joachim Marseille, e no qual este famoso ás alemão acabou por perder a vida.

Cada modelo era constituído por uma vintena de peças pré-pintadas, que vinham em grelhas, tal como os "kits" comuns, pelo que o processo de montagem era similar, se bem que simplificado, bastando seguir umas instruções simples do que resultava um modelo completamente finalizado, sem necessidade de pintura ou decoração extra.

Na verdade, não obstante o reduzido número de peças, que ronda a vintena, mas varia conforme o modelo específico, bem como a decoração vir completa, surgiam outros problemas, nomeadamente nas zonas de colagem das peças onde as linhas de união ficavam demasiadamente expostas.