segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O Arado Ar 196 da Airfix - 2ª parte

Com 50 anos de existência, datando de 1966, o modelo da Airfix é antigo e incorpora as qualidades e defeitos características dos "kits" produzidos então por este fabricante, com detalhes simplificados e diversas peças móveis, sendo fornecido com decalques para duas versões e incluindo alguns opcionais, como as figuras da tripulação e um par de bombas SC50.

Não obstante algumas limitações típicas de então, bem como o facto de todas as superfícies estarem cobertas de rebites, o "kit" está bem moldado, com as peças a encaixarem correctamente, e as linhas estão correctas, reproduzindo as caraterísticas e especificidades deste hidroavião, permitindo uma montagem fácil e sem grandes problemas.

O primeiro passo é, naturalmente, a pintura do interior, simplificado, mas com os principais elementos e que, com a tripulação, fica relativamente composto, bem como a do motor radial e do hélice, elementos que irão preencher o interior da fuselagem, devendo ser colados de um dos lados, após este ser pintado em verde, cor usada no interior dos aviões militares alemães, com os paineis de instrumentos a serem pintados em cor negra.

As figuras, representem elas militares da Luftwaffe ou da Kriegsmarine, usam o mesmo tipo de uniforme de voo, em cor castanho claro, com botas em negro, e os coletes de salvação, que no caso alemão tinham uma configuração diferente da destas figuras genéricas da Airfix, que se aproximam mais dos uniformes ingleses, era em amarelo, destinados a facilitarem a localização de quem caísse no mar.

As armas, tal como o motor, são em negro metalizado, enquanto os paineis de instrumentos e comandos são em negro, tal como o hélice, enquanto o cone, depende do avião exacto a reproduzir, sendo proposto que seja pintada a ponta em vermelho, com a zona posterior em cores tão variadas como o amarelo, verde ou negro.

Nesta fase, e após pintar e instalar todos os componentes que ficam no interior, incluindo o decalque do painel de instrumentos, pode-se colar as duas metades da fuselagem e o "capot", com o motor e hélice devidamente instalados, devendo-se fazer desaparecer as linhas de união com um pouco de betume e lixa fina.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O Arado Ar 196 da Airfix - 1ª parte

O Arado Ar 196 foi um dos hidroaviões monomotores mais conhecidos e eficazes utilizados durante a 2ª Guerra Mundial, tendo continuado ao serviço, em funções civis e militares, após o termo do conflito, o que atesta bem a valia do seu projecto e o sucesso do seu desempenho.

Tal como muitas outras marinhas, também a alemã considerou necessário ter, a bordo de cruzadores e couraçados, hidroaviões para reconhecimento e mesmo para algumas missões de ataque, que pudessem ser lançados a partir da catapulta de bordo e amarasse junto do navio, sendo recolhido com recurso a um guindaste.

Quando em 1935 a marinha de guerra alemã considerou que o Heinkel 60 se encontrava obsoleto, abriram-se possibilidades para um novo modelo, que inicialmente foi o Heinkel 114, igualmente um biplano que pouco adiantava em termos de desempenho face ao aparelho a substituir, que deu rapidamente lugar ao Arado Ar 196, que foi utilizado até ao final da guerra.

Concorrendo contra os modelos da Dornier, Gotha e Focke-Wulf, todos biplanos, a proposta da Arado era indiscutivelmente muito superior, mesmo recorrendo a um motor comum a todos os competidores, o BMW 132, de configuração radial, com o desenho do Ar 196 a revelar-se muito moderno e extremamente eficaz para a época, o que o tornou um favorito entre os pilotos.

Após a fase de testes, com modelos com flutuador central e dois flutuadores, e versões para uso a partir de navios e a partir de bases costeiras, os Arado Ar 196 foram evoluindo ao longo da guerra, sobretudo em termos da resistência estrutural, essencial para operações navais, no armamento, no equipamento rádio e em pequenos detalhes, sem nunca romper com a versão inicial, que pouco foi alterada.

Utilizado com grande sucesso e por diversas nações, os Ar 196 celebrizaram-se pela captura do submarino britânico HMS "Seal" e pela destruição de numerosos aviões Armstrong-Whitworth Whitley da RAF, para citar dois exemplos conhecidos, sendo francamente superior aos seus equivalentes operados pelos Aliados, como o Douglas Kingfisher.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Maquete com componentes eléctricos - 9ª parte

Apesar de serem um pouco pequenas, as figuras da Luftwaffe da Airfix são excelentes para complementar a cena, caso a opção de pintura seja para a Europa, dado representarem adequadamente o fardamento utilizado na altura em que os Bf 109F eram utilizados, eventualmente com excepção daquelas que utilizam o boné de pala M43, que surgiu numa altura em, maioritariamente, que os modelo F tinham dado lugar aos G.

As figuras da Preiser e as mais recentes da Revell, embora mais dispendiosas e, no primeiro caso, difíceis de encontrar, estão na escala correcta, sendo uma opção igualmente a ter em conta, podendo ser complementadas com figuras de infantaria, na mesma escala, que representam quem, perto da linha da frente, tem que assegurar a protecção dos aeródromos.

Uma outra opção é a de colocar, ou complementar o cenário, com figuras de infantaria em poses mais descontraídas, como algumas das que são incluídas no conjunto da HaT originariamente destinadas a serem colocadas sobre carros de combate, e que estão na escala certa e se integram com naturalidade num cenário algo afastado da linha de frente.

Se excluirmos os pequenos segmentos de condutores, o motorizar uma maquete custa, aproximadamente, um par de Euros, sem contar com o preço das pilhas, um valor módico e que oferece divesas possibilidades, algumas delas bem interessantes, dado que se pode aproveitar o suporte para, por exemplo, adicionar algumas luzes no interior da cabana, o que proporciona uma luminosidade muito própria ao conjunto.

Mesmo com custos muito controlados, e recordamos que este "kit" custa perto de oito Euros, a que acresce o valor do motor e suporte das baterias, das pilhas, de um "led" e, naturalmente, da cabana, que anda pelos cinco Euros, podemos ter, com uma vintena de Euros, uma maquete fora do comum, capaz de se destacar das restantes pelo movimento e luz que transmite, dando uma ideia de um realismo diferente.

Este é apenas um exemplo, sendo infinitas as possibilidades de construir um cenário com um modelo de avião, alguns elementos cénicos e uma pequena instalação eléctrica, esperando que possa inspirar alguns dos nossos leitores a conceber e realizar os seus próprios cenários, recorrendo aos seus conhecimentos e ideias próprias, podendo recorrer a algumas das pistas que aqui lançamos.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Maquete com componentes eléctricos - 8ª parte

Nesta fase, temos uma base, com um suporte de baterias, de onde sai um par de condutores, que fica na parte inferior, um avião, com os respectivos condutores para ligar aos primeiros, pelo que é necessário efectuar a respectiva união, encaminhando de forma discreta os cabos que saem do avião para um orifício na base, que dará acesso ao espaço inferior.

Uma das possibilidades para ocultar a verdadeira função dos condutores que saem do avião, é recorrendo a um bidão e um balde ou "jerry can" ou dois bidões, caso saiam do bocal de abastecimento de combustível, ou com alguma vegetação mais alta caso saiam da parte inferior do modelo.

No primeiro caso, o processo mais simples é colar um bidão de lado, com uma pequena peça a imitar uma bomba manual e fazer um dos condutores passar através do conjunto, enquanto o segundo condutor vai directamente para o outro bidão ou para um balde, muitas vezes usado como retorno para saída de gases ou mesmo excessos provenientes do interior do depósito de combustível, podendo-se usar uma pequena caixa para ocultar ligações adicionais.

A segunda opção é mais simples, ficando os 3 milímetros entre o reservatório extra e o solo quase invisíveis depois de pintar os condutores em castanho, adicionar um pouco de vegetação e, eventualmente, colocar algum elemento cénico adicional, como uma caixa de ferramentas ou mesmo uma figura de um mecânico, resultando na quase invisibilidade da pequena extensão de condutores exposta.

As ligações são efectuadas no espaço existente sob a base, bastante amplo e onde todos os condutores podem ser facilmente acondicionados, recorrendo a conectores de mola, o que permite libertar as ligações em caso de necessidade, aconselhando-se a prendê-los com um pouco de fita isoladora, acondicionando-os de modo a que não fiquem vulneráveis a pequenos esticões.

A finalização pode ser efectuada de forma semelhante a outros exemplos, adicionando algumas figuras, sendo que uma delas pode ser a que gira a manivela que aciona o arrancador de inércia que coloca em movimento o motor do avião, ou mesmo algum veículo de suporte, como um "Kubelwagen", muito utilizado em bases aéreas, ou mesmo um camião que transporte os bidões para abastecimento de combustível, sempre com o cuidado de não sobrecarregar o cenário.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Maquete com componentes eléctricos - 7ª parte

Outra hipótese é fazer os condutores descer desde o compartimento do motor, atravessando a fuselagem e o reservatório suplementar colocado sob esta, e descendo para o solo, que fica a escassos milímetros, pelo que, com um pouco de tinta e vegetação no solo, a ligação ficará quase invisível, sendo esta o método mais prático e directo, evitando uma passagem complexa sob o "cockpit" e algumas curvas bastante apertadas no interior.

Neste caso, seja o furo, que deversá ser efectuado com um pequeno berbequim, dado atravessar diversas peças, seja a passagem dos condutores, é efectuada quando o modelo se encontra na fase seguinte à colagem das asas, altura em que se deve montar e colar o reservatório suplementar, dado ser esta a melhor forma de ter um alinhamento correcto para a passagem dos cabos.

Após passar os condutores, pode-se instalar o motor, o que neste modelo dispensa construir um suporte, bastando colá-lo, de modo a que o eixo posição fique correctamente alinhada com o do avião e firmemente fixo, evitando vibrações que podem danificar o modelo ou comprometer as ligações eléctricas.

Este processo implica testes, incluindo de funcionamento do motor, a peça que faz a ligação entre o veio deste e o hélice, que se deve encaixar de forma adequada e rodar livremente, sem que se verifiquem atritos, devendo-se ainda verificar as ligações eléctricas do motor, que devem ser sólidas, mas permitindo que, em caso de necessidade, sejam removidas.

Preferencialmente, com excepção dos condutores, tudo deve ficar encaixado de modo a, em caso de avaria, ser possível substituir o motor sem danificar o "kit", sendo esta uma das razões que nos levou a optar pelo modelo da Italeri, com "capot" separado, que colocamos no local, sem colar, o que dá algum acesso ao interior, ficando preso através da pressão exercida, complementada pelo efeito da pintura.

A partir desta fase, este "kit" constrói-se e pinta-se de forma idêntica ao de muitos dos modelos que descrevemos em textos anteriores, sendo de optar por uma versão europeia, de modo a que se possa integrar de forma mais adequada com a cabana da "Pegasus" e das árvores que farão parte do cenário e são absolutamente incompatíveis com o Norte de África e pouco plausíveis no Sul da Europa.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Maquete com componentes eléctricos - 6ª parte

Tal como noutros modelos, é de começar pelo interior, bastante simplificado, que pintamos em cinzento esverdeado, com o painel de instrumentos e coluna de comando, ou "manche", em negro, sendo de colocar uma figura de piloto no interior, algo inevitável sempre que se queira colocar um motor funcional.

Com uma figura de piloto da Preiser no assento, torna-se necessário colar o conjunto do "cockpit" no interior da fuselagem, que é fechada, após o que procedemos à colagem de asas e estabilizadores, dando origem ao essencial do modelo, ficando a faltar, essencialmente, detalhes e pequenas peças.

Devemos dizer que, ao contrário do que habitualmente sucede com os modelos da Italeri, este "kit" apresentava alguns problemas em termos de encaixe de peças, sobretudo no respeitante às asas, o que obrigou a um extenso trabalho de ajustes até que estas ficassem defenitivamente posicionadas e coladas no local correcto.

Todas as uniões de peças do modelo foram regularizadas nesta altura, recorrendo a cola instantânea, aplicada nos locais onde as peças se encontram, sendo depois toda a zona lixada, de forma a obter um acabamento adequado à pintura e a poder receber a instalação eléctrica sem a necessidade de grandes trabalhos que possam resultar nalgum dano.

Existem diversas possibilidades para a passagem dos condutores, sendo uma delas a de recorrer ao local por onde era efectuado o abastecimento de combustível, através de um par de mangueiras, com a tampa do reservatório do lado esquerdo da fuselagem, imediatamente atrás do "cockpit", local que pode ser utilizado para fazer a passagem de electricidade.

Caso seja esta a opção, é necessário furar a fuselagem sensivelmente atrás do "cockpit", com os cabos a serem encaminhados, interiormente, por baixo deste, ligando ao motor que fica na frente da fuselagem, posicionado de modo a que seja possível encaixar a hélice fornecida com o "kit" no seu eixo, sendo que a passagem dos condutores tem que ser feita antes de colar as duas peças da fuselagem.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Maquete com componentes eléctricos - 5ª parte

É possível adquirir motores de muito pequenas dimensões, cujo corpo tem perto de 6 x 8 x 20 milímetros, e com um veio de perto de 7.5 milímetros, por um de espessura, que funcionam com um mínimo de 3 volts, podendo chegar ao dobro, o que tem implicações em termos do número de rotações por minuto.

Seja por causa do aquecimento resultante, seja para manter as rotações tão baixas quanto possível, aconselhamos a manter estes pequenos motores, que existem em numerosíssimas configurações em termos de dimensão, rotações e requesitos de alimentação, no regime mais baixo possível, sendo este o mais compatível com o do motor de um avião real.

Tal como acontece com os suportes, estes motores podem ser adquiridos em conjuntos de 5 por um preço que também se aproxima dos dois Euros e meio, também neste caso incluindo os portes a partir a Ásia, pelo que, conjuntamente, se obtém um total de 5 conjuntos completos por um preço que ronda um Euro por cada conjunto.

Para instalar o motor, optamos por adquirir um Messerschmitt Bf 109 F2/F4 da Italeri, um modelo muito simples, mas com diversas versões, que tem uma particularidade que nos interessa, concretamente o "capot" do motor ser composto por peças separadas, o que permite uma boa acessibilidade e maior flexibilidade na fixação do motor eléctrico.

Relativamente à história dos Bf 109, e mesmo à versão F, ou "Friedrich", não nos iremos alongar, dado que já foi abordada em textos anteriores, e, de igual forma, resumiremos a parte da montagem e pintura deste "kit", em muitos aspectos semelhante à que descrevemos para outras miniaturas do mesmo avião.

Este "kit" tem, no entanto, algumas particularidades, dado que a Italeri decidiu usar um conjunto de partes em comum com o modelo G, pelo que toda a parte da cauda é moldada separadamente, o que implica que a fuselagem tem um número de peças superior ao habitual, com o leme de direcção a ser uma peça separada e permite reproduzir o avião pilotado por Adolf Galland, incluindo todas as insígnias, incluindo o célebre rato "Mickey", apenas com a excepção das suásticas da cauda.