sexta-feira, 3 de julho de 2015

O "Tiger I" da Solido - 1ª parte

O modelo do carro de combate "Tiger I" produzido pela Solido e pela Verem faz parte de uma colecção de veículos militares, sucessivamente reeditados em diversas versões, numa escala anunciada de 1/50, mas que, efectivamente, era muito variável, podendo ir desde 1/43 a 1/60, eventualmente aproximando-se do infeliz conceito de escala da caixa, ou seja, fazer variar a dimensão do conteúdo de modo a corresponder sensivelmente ao tamanho da caixa.

Desta variação na escala resultou uma fraca adesão por parte de colecionadores, pelo que os modelos militares da Solido acabaram por ser considerados, essencialmente, como brinquedos, para o que contribuia a sua solidez, alguma falta de detalhes e, o que actualmente é impensável, alguns canhões funcionais, com sistema de mola capaz de disparar pequenos projécteis em plástico que facilmente podiam acertar em crianças.

Não obstante estas questões, alguns dos modelos concebidos pela Solido, sobretudo na última geração, não deixam de ser interessantes, com melhores acabamentos e uma pintura mais cuidada, que passou desde uma única cor a padrões mais elaborados de camuflagem que consideramos de boa qualidade, sobre a qual eram colocados decalques semelhantes aos dos "kits", dando assim uma finalização interessante.

Por terem sido melhorados na origem, surgiram conjuntos de melhoramento para alguns modelos, que incluiam correcções e acessórios de modo a que o aspecto final se aproximava, em termos de detalhes, dos "kits" da Airfix ou da Matchbox, considerados como o padrão de então, sendo normal vários modelistas adicionarem alguns pormenores ou retoques de pintura, o que permitia transformar estes quase brinquedos em miniaturas aceitáveis.

Outro detalhes típico dos tanques da Solido é possuirem rodados e lagartas funcionais, portanto com as rodas a girarem sobre os respectivos eixos e as lagartas, construidas a partir de elos, como as originais, a correrem sob o modelo, de forma muito semelhante ao do veículo real, sendo possível, nalguns modelos, ver o funcionamento da própria suspensão, algo simplificada por questões de ordem prática.

Feita esta introdução genérica, aplicável aos modelos desta Série, passamos ao "Tiger I" que é o objecto destes textos, que, no caso concreto do modelo analisado, tem uma das pinturas mais simples, em cinzento, e vem numa caixa comemorativa do 50º aniversário dos desembarques na Normandia, que decorreu em 1994, altura em que a Solido reeditou numerosos modelos numa embalagem alusiva a esta efeméride.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Figuras na escala 1/32 em bases da "Games Workshop" - 3ª parte

Finalmente, e depois de sacudir excessos que podem ter ficado soltos sobre a base, deve-se selar a superfície, de modo a que todos os elementos fiquem consolidados, podendo usar-se uma simples tinta diluida, que também irá ocultar zonas onde a cola pode ter ficado visível, evitando, sobretudo, brilhos ou texturas pouco naturais.

Nesta altura, a base estará concluída, pelo que é a altura de, após testes de posicionamento, colar a figura no local pretendido, recorrendo a cola de contacto, aconselhando-se a remover a tinta da figura e o revestimento da base no local da colagem, como forma de melhorar o resultado desta, evitando que, caso a tinta ou o revestimento se soltem, a figura caia.

Obviamente, a figura foi pintada separadamente, da forma que mencionamos no conjunto de textos sobre o "Afrika Korps" da Airfix, sendo sempre de, antes da colagem na base, ser examinada e, caso necessário, proceder-se a alguns retoques, o mesmo acontecendo com a base, sendo frequente que na zona de colagem possam surgir pequenas marcas de cola que, com um pouco de tinta, facilmente se ocultam, dando assim um aspecto mais consistente ao conjunto.

No nosso exemplo, recorremos a figura que representa um atirador com uma metralhadora MG-34, uma arma bastante comprida e que, na posição de fogo, com o atirador deitado, resulta num modelo com perto de 8 centímetros de comprimento, o que obrigou a adaptar a base, como descrito, tendo adicionado uma pequena secção de arame farpado, que acaba por dar uma dimensão mais tridimencional ao conjunto.

Existem numerosos modelos de bases da "Games Workshop" ou similares, com preços extremamente variados, que podem ir desde alguns cêntimos a vários Euros, sendo de prever que, para o modelo utilizado, um valor de 30 cêntimos seja aceitável, para o que é necessário efectuar algumas pesquisas e comparações, sob pena de pagar um preço absurdamente elevado.

Esta é apenas uma das inúmeras opções disponíveis no mercado, tendo-se escolhido este fabricante pela gama oferecida e porque, complementarmente, fornece sistemas de encaixe para múltiplas bases, adequadas para "wargames", sendo nosso objectivo, para além de descrever uma solução, sugerir que sejam colocadas bases nos modelos, como forma de evitar uma manipulação directa, com a consequência degradação que daí resulta, contribuindo assim para manter as figuras no melhor estado possível.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Figuras na escala 1/32 em bases da "Games Workshop" - 2ª parte

Uma forma simples de aumentar a dimensão de uma base, sem que destoe das restantes, é cortar uma base em duas, ficando com dois semí-círculos, adicionando uma simples secção central, em forma rectangular, com uma largura de 5 centímetros e um comprimento de 4, resultando numa superfície com o comprimento suficiente para uma figura em posição deitada.

Selecionadas as dimensões de base adequadas às figuras, podendo ser de 4 ou 5 centímetros, para figuras na escala 1/32, a opção, no caso das bases da "Games Workshop", que têm uma altura de 3 milímetros, tem sido a de começar por pintar a superfície superior em cor de areia e as laterais, que será a zona mais manipulada, em negro, no fundo, a sua cor de origem, do que resulta que pequenos danos na pintura não serão notados.

O facto de as bases da "Games Workshop" terem alguma altura, resultante das paredes laterais, tem a vantagem de permitir uma muito mais fácil manipulação da figura, mas as implicações estéticas não são consensuais, tendo ainda o inconveniente de aumentar a altura do conjunto e, naturalmente, de as tornarem mais dispendiosas do que modelos mais simples, que basicamente são planos, apenas com a altura correspondente à espessura do material.

Caso se pretendam adicionar alguns elementos, com destroços, equipamentos, vegetação ou outros, esta é a altura de os colar no local pretendido, sempre verificando se da sua inclusão e posicionamento não resulta a impossibilidade de colocar a figura da forma inicialmente planeada, ou se esta combinação resulta de forma pouco natural e terá que ser revista.

Seguidamente, a superfície superior é coberta por cola, sendo o mais habitual cola branca para madeira, mas que pode ser substituida por cola de contacto, aconselhável caso algum dos elementos a utilizar seja mais pesado e obrigue a uma maior aderência, sendo nessa altura colocados os vários elementos, começando pelos de maior peso e volume.

Desta forma, se houver pedras, obviamente de pequenas dimensões, gravilha e pó, estes devem ser largados nesta sequência, com os elementos de menor dimensão a posicionarem-se entre os maiores, do que resulta uma melhor cobertura, e uma colagem mais forte, independentemente do peso e tamanho dos diversos elementos.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Figuras na escala 1/32 em bases da "Games Workshop" - 1ª parte

Adicionar bases a figuras, ou mesmo a modelos de veículos, pode ser algo a ter em conta, seja para criar algum ambiente, seja mesmo para facilitar a sua manipulação, evitando tocar directamente em zonas pintadas ou com peças pequenas que se revelem frágeis, de modo a preservá-los em bom estado.

Outro motivo para recorrer a bases resulta de regras de jogos de guerra, ou "wargames", algumas das quais determinam sejam as dimensões das bases, seja mesmo o número de figuras ou outros elementos que nestas devem constar, podendo mesmo requerer algum tipo de marcação ou sinalização usada durante o desenrolar do jogo.

Exceptuando os condicionalismos impostos por regras, as quais variam enormemente e impedem uma padronização, a escolha das bases resulta do gosto e da vontade do modelista, naturalmente com algumas limitações de ordem prática, mas com uma grande liberdade que permite uma infinidade de opções de finalização e combinações de elementos.

Dado que a grande maioria dos jogos de guerra prevê modelos na escala 1/72 ou mesmo inferior, com excepção para algumas, menos frequentes, nas escalas 25 ou 28mm, ao colocar em bases figuras na escala 1/32 prevemos que as mesmas serão apenas usadas como elementos decorativos, pelo que a opção resulta, essencialmente, do gosto pessoal e do material disponível.

No caso das figuras na escala 1/32, como as da Airfix, temos optado pelas bases da "Games Workshop", que oferecem uma boa variedade em termos de dimensão e de formato, podendo-se escolher entre bases redondas, rectangulares ou quadradas, com dimensões que variam desde 2 centímetros, destinadas a uma figura apeada e isolada, até aos 5, para modelos de maiores dimensões ou figuras montadas.

No entanto, mesmo as bases de maior dimensão, em formato circular, com 5 centímertos de diâmetro, podem ser insuficientes, sendo disso exemplo uma figura na escala 1/32 deitada e com uma arma longa, do que pode resultar um modelo com o comprimento total de perto de 8 centímetros, obrigando a algumas modificações.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O "Afrika Korps" da Esci - 4ª parte

No entanto, estes produtos têm uma vantagem indiscutível, a de, tal como um verniz, selarem as figuras, protegendo-as de forma eficaz conta o desgaste que resulta da sua manipulação, tendo como inconveniente alguma imprevisibilidade e uma maior dificuldade de alterar detalhes, caso tal seja considerado necessário.

Relativamente a questões de detalhes ou correcção histórica, remetemos para os artigos sobre o "Afrika Korps" da Airfix na escala 1/32, onde nos debruçamos essencialmente sobre estes aspectos, os quais podem igualmente ser encontrados facilmente na Internet ou nos inúmeros livros dedicados a este tema.
Este antigo conjunto, não obstante algumas virtudes, não consegue competir com produtos mais recentes, seja a segunda versão da própria Italeri, seja com os conjuntos da Caeser, talvez atualmente o melhor do mercado na escala 1/72, seja mesmo o da Revell, que inclui algumas posições muito bem conseguidas e duas metralhadoras pesadas, com os respectivos tripés correctamente reproduzidos.

Não obstante, o antigo conjunto da Esci continua perfeitamente utilizável, tendo como maior inconveniente algumas poses menos conseguidas e a altura das figuras ser abaixo do expectável na escala 1/72, o que acaba por colocá-las perto das que são produzidas na escala 1/76, o que, para nós, representa um inconveniente.

Apesar deste problema em termos de dimensão, as figuras integram-se relativamente bem com outros modelos, nomeadamente com os carros de combate produzidos na escala 1/72 pela HaT ou pela Ixo, ou mesmo com o Panzer IV da Airfix, na escala 1/76 para citar alguns exemplos, e num cenário de jogos de guerra são perfeitamente utilizáveis, sem destoar em termos de qualidade, com a vantagem de, mesmo sendo manipulados, a tinta permanecer bem agarrada.

Este não seria o conjunto a aconselhar nos tempos que correm, provavelmente iriamos sugerir o que é produzido pela Caesar, mas quando chegou ao mercado, representou uma lufada de ar fresco, propondo uma representação do popular "Afrika Korps" na escala 1/72 com uma qualidade e rigor histórico de bom nível e algumas posições que ainda hoje podem justificar a sua aquisição.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O "Afrika Korps" da Esci - 3ª parte

O conjunto de que dispomos tem alguns anos, destinando-se a ser utilizado em jogos de guerra, também conhecidos por "wargames", para o que foi necessário pintar uma quantidade razoável de figuras, efectuada em lotes de uma dúzia, num curto espaço de tempo, pelo que se perdeu alguma qualidade em termos de detalhes por, no fundo, funcionarem como marcadores ou peças num jogo.

Assim, sobre uma base de tinta acrílica negra, essencial mesmo sobre este tipo de plástico, foram pintados primeiramente os grandes blocos, como calças ou casacos, passando depois a zonas de menores dimensões, como capacetes ou calçado, seguindo-se as faces ou mãos, de modo a ter uma estrutura à qual falta detalhes e defenições.

Seguidamente, foram pintados os detalhes, como as correias e cintos, equipamento, que inclui máscaras anti-gás ou cantís, e as armas, ficando para o fim a subsituição da base original, que é cortada ao nível dos pés, por uma mais simples e de menor espessura, cortada a partir de uma superfície de plástico, a qual é pintada em cor de areia, coberta de cola branca e polvilhada com um pó usado no modelismo ferroviário, de modo a ter um aspecto mais discreto e realista.

Por envolver cortes e colagens, só após ter colocado as bases defenitivas são efectuados os retoques, que passam pela melhor delimitação das zonas de transição de cor, marcada a negro, bem como as últimas pinturas em zonas mais expostas, como uns toques metalizado nas armas, as quais podem ser afectadas na altura em que é necessário efectuar maior pressão sobre as figuras.

Por uma questão de facilidade, optamos por uma pintura relativamente uniforme, ou seja, selecionamos um dos tons usados pelo "Afrika Korps", concretamente o verde oliva, com os capacetes em amarelo areia, limitando-nos a pincelar estas superfícies com um tom ligeiramente mais claro e a recorrer a uma aguada escura que, ao escorrer para as zonas mais fundas, aumenta substancialmente o contraste.

Este processo é relativamente rápido para realçar os detalhes, existindo produtos específicos para o efeito, a maioria dos quais pode ser identificados por terem a palavra "Wash" ou "Dip" nos nomes, com alguns fabricantes a prometerem autênticos milagres que, efectivamente, resultam apenas da qualidade do trabalho previamente realizado.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

O "Afrika Korps" da Esci - 2ª parte

O equipamento individual, embora reduzido, está correcto, com as bolsas e cartucheiras adequadas ao tipo de arma, sendo perfeitamente plausível e adequado ao combate, o que faz sentido, tendo em conta as diversas posições das figuras que parecem estar todas em acção, apesar de uma ou outra ser mais duvidosa quanto ao que efectivamente faz.

Após o fim da Esci, o mesmo conjunto passou a ser produzido pela Italeri, recorrendo aos mesmos moldes, mas com diferentes tipos de plástico, incluindo um tipo, mencionado na caixa, que aceita a tinta e a cola de forma muito semelhante à do plástico rígido usado nos "kits" e que tem, obviamente, a nossa preferência.

Nalgumas caixas, no canto inferior direito, encontra-se um símbolo que diz "SSM-Italeri, Super Special Material, Let's Glue it", e que assinala, de forma inequívoca, quais os conjuntos produzidos neste tipo de plásticom absolutamente inovador, sobretudo para a época, e que foi recebido com grande entusiasmo por numerosos modelistas.

Infelizmente, a Italeri não manteve este tipo de plástico em permanência, nem o usou em todos os conjuntos de figuras que produziu, pelo que esta opção não se coloca em todos os casos, mas, havendo a possibilidade, deve ser esta a escolha, caso a ideia seja pintar as figuras ou utilizá-las em maquetes que envolvam colagens.

Alertamos para o facto de a Italeri ter, passados uns anos, complementado este conjunto com outro, que designou por "D.A.K. Infantry", que consideramos superior, incluindo figuras com boa qualidade, historicamente correctas, com algumas boas posições e morteiros correctamente desenhados, com as pernas e respectivo sistema de regulação, pecando apenas por uma menor variedade no fardamento, que deixou de incluir calções, e uma outra pose pouco natural.

Optamos por um conjunto que aceita tinta, ainda disponível em diversas lojas ou mesmo no EBay, por um preço idêntico ao dos restantes conjuntos da mesma série, e que poderá rondar a dúzia de Euros, justificando-se alguma pesquisa, dada a disparidade de preços que temos vindo a encontrar.