sexta-feira, 31 de julho de 2015

O Messerschmitt Bf 109 E7 Trop da Airfix - 5ª parte

Por uma questão de facilidade, optamos por pintar toda a estrutura do "canopy" antes de o colocar no local, dado que a sua manipulação é muito mais simples, utilizando a mesma cor da parte superior da fuselagem, sendo que no caso da versão tropical é em cor de areia, sem manchas ou padrões de camuflagem.

Também será de pintar o hélice, em negro, com as pontas em amarelo, bem como o cone, branco e vermelho na versão tropical, algo que, efectivamente, dependia em muito da preferência do piloto, a quem era dada alguma liberdade a nível de detalhes de pintura e finalização, podendo incluir um emblema pessoal, alguns dos quais se tornaram bem conhecidos e serviam de aviso aos próprios adversários.

A versão tropical proposta pela Airfix reproduz o avião pilotado pelo então 1º tenente Ludwig Franzisket, adjunto do comando do 1º grupo da Jagdgeschwader 27, que operava a partir da base de Castel Benito, na Líbia, em Abril de 1941, piloto que terminou a guerra com o posto de major e 43 vitórias em mais de 500 missões e diversas condecorações, tendo seguido uma carreira académica como professor universitário de biologia e director de museu de História Natural.

Portanto, este modelo representa um avião que entrou em acção no início da guerra em África, pelo que quase certamente seria proveniente de uma unidade com camuflagem europeia, sendo lógico que existiria um desgaste maior na pintura inferior e, muito provavelmente, alguma falta de cuidado na pintura superior, como resultado da pressa com que estes aviões foram enviados para um teatro de operações onde o apoio aéreo era essencial.

A Airfix sugere uma pintura que incorpora muito dos padrões europeus, que admitimos ser correcta, mas que não coincide com as fotografias da época onde os Bf 109 surgem quase sempre pintados com um padrão muito mais adequado ao Norte de África, sendo nossa opção seguirmos a documentação fotográfica de que dispomos e se encontra profusamente difundida na Internet e na própria história da unidade do avião representado.

Após terem sido enviados para o Norte de África, alguns ainda com o padrão de camuflagem europeu, os aviões alemães começaram a ser pintados de acordo com a paisagem circundante, pelo que toda a zona superior da fuselagem e das asas passou a amarelo escuro, sobre o qual eram aplicadas manchas verdes, que desciam ao longo das laterais, pelo que também eram aplicadas sobre o azul que recobria a parte inferior das aeronaves.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O Messerschmitt Bf 109 E7 Trop da Airfix - 4ª parte

Finalmente, para poder deixar o capot aberto construimos um motor, que, basicamente, é um bloco de uma matéria plástica muito leve, cortado na medida do original, ao qual foram adicionados os suportes laterais, que eram o elemento mais distintivo nos motores dos Bf 109, e colocar no topo dois pequenos tubos, que simulam os canos das metralhadoras.

O capot foi cortado, de modo a que a parte dianteira fosse colada no local, segurando a hélice, enquanto a parte traseira, da qual foram retirados os canos das metralhadoras e feitos dois furos no local onde estes se encontravam, sendo depois de pintado colocado junto do avião, integrado num cenário.

Obviamente, estas modificações condicionam opções futuras, sendo óbvio que o modelo nunca poderá estar em configuração de voo, devendo-se ter o cuidado de colar a blindagem que protege o piloto na parte central do "canopy", uma vez que esta abria em conjunto, e nunca deixá-la colada no local proposto pela Airfix, o que é um erro demasiado óbvio que impediria o "canopy" de abrir.

Nesta altura, caso não se tenham efectuado modificações, é de decidir qual a posição do trem de aterragem, sendo que, caso não fique recolhido, tem que se pintar o interior dos porões e a estrutura do trem e jantes, na mesma cor do interior, bem como os pneus, em negro, ficando a montagem para uma fase posterior.

Na posição de voo, as peças utilizadas podem ser pintadas mais tarde, seguindo os mesmos critérios de cor, com a parte exterior das coberturas dos porões, tal como na opção anterior, a ser pintada na mesma cor azul da parte inferior das asas, podendo-se aproveitar para pintar igualmente, caso a opção seja essa, do depósito de combustível externo.

Este modelo, para além da ausência de carga externa, permite adicionar o tanque externo, uma simples bomba SC250, ou um conjunto de 4 bombas SC50, para o que são fornecidos suportes específicos para cada opção, sendo o mais comum no Norte de África o recurso ao tanque, dado que a necessidade de combustível num teatro onde as distâncias a percorrer eram grandes, dificilmente permitia o transporte de bombas.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O Messerschmitt Bf 109 E7 Trop da Airfix - 3ª parte

O capacete em cabedal castanho e os óculos de voo eram norma, em qualquer frente de combate, mas em zonas de temperaturas extremas o uniforme variava enormemente, sendo mais evidente no Norte de África, onde calções e camisa, que nada protegiam em caso de impacto ou incêndio, eram tolerados, acabando por ser comuns.

Assim, caso a opção seja a versão tropical, o uniforme do piloto pode ser em tons de amarelo areia, semelhante aos do Afrika Korps, mantendo-se o restante equipamento idêntico ao da versão europeia, incluindo o colete de salvação, muitas vezes presente quando as missões incluiam a possibilidade de sobrevoar o Mediterrâneo, o que era mais comum do que pode parecer numa primeira impressão.

Com o piloto pintado e colocado no interior finalizado, o que passa pela colagem de um pequeno conjunto de peças, pode-se passar à montagem do avião, no respeitante à fuselagem, asas e estabilizadores, ficando assim o conjunto ou volume principal, ao qual serão adicionados os detalhes.

Também será esta a altura de decidir se queremos o modelo tal como proposto pela Airfix ou se pretendemos introduzir algum tipo de modificações, personalizando-o e tornado-o mais ao gosto do modelista, evitando que este seja apenas mais um "kit" igual a tantos outros.

A primeira modificação que introduzimos foi a de colocar os lemes de profundidade na posição de descida, para o que é necessário efectuar um corte completo no entalhe separador da zona mais exterior, aquele que faz um pequeno angulo, e aumentar a profundidade no resto da extensão, de modo a poder dobrá-lo, criando assim uma sensação mais natural.

Também decidimos colocar o "canopy" na posição de aberto, o que implica ou um corte extremamente direito, efectuado muito lentamente, de forma a não partir ou danificar uma peça bastante frágil, ou substituir a peça fornecida por um conjunto onde o "canopy" seja fornecido através de três peças separadas, tal como acontecia na realidade.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

O Messerschmitt Bf 109 E7 Trop da Airfix - 2ª parte

Após um modelo do Bf 109 G6, muito antigo e cuja qualidade, aceitável para a altura, está muito abaixo do mínimo aceitável actualmente, a Airfix lançou um E4/7, com a referência 2048, apresentado em diversas embalagens, a que correspondiam distintas decorações, que inclui a variante tropical, recorrendo a moldes completamente novos, corrigindo alguns erros e adicionando novos detalhes.

Não obstante os melhoramentos, este novo modelo continua a ser bastante simplificado, com um reduzido número de peças que, efectivamente, permite poucas opções, com uma escolha entre duas variantes do modelo E e a possibilidade de construir o "kit" com o trem de aterragem recolhido, em posição de voo, ou estendido, com o avião pousado.

Dado estas serem opções simples e o interior, portanto tudo o que implica ser pintado antes da montagem ser comum a todas as opções, estas podem ser decididas apenas no momento da pintura, altura em que será de decidir se a escolha vai para um aparelho a operar na Europa, com o filtro de ar curto, ou no Norte de África, com o filtro de ar longo, podendo qualquer deles ter o trem de aterragem recolhido ou não.

Naturalmente que se deve começar por pintar o interior, muito simplificado do modelo, que é sobretudo em verde acinzentado, correspondendo a um primário, com o painel de instrumentos e controles em negro, existindo pequenos detalhes, pouco visíveis nesta escala, em vermelho ou negro.

Os pilotos incluidos nos modelos da Airfix nesta escala tendem a ser idênticos para as várias nacionalidades, algo que é obviamente incorrecto, mas o facto é que a figura, que pensamos ser originária dos anos sessenta, é bem moldada e, uma vez colocada no interior do "cockpit", pouco visível, pelo que os detalhes acabam por ser pouco relevantes.

Não havia grande uniformidade em termos de vestuário de voo por parte dos pilotos de caça alemães deste período, podendo ir desde um macacão azul acinzentado a um uniforme de voo quase na mesma cor, passando por blusões de cabedal negro ou castanho, com ou sem gola em pele e que podia ser complementado, caso o plano de voo implicasse sobrevoar água, por um colete de salvação amarelo.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O Messerschmitt Bf 109 E7 Trop da Airfix - 1ª parte

Falar dos Messerschmitt Bf 109, um dos mais célebres aviões de caça alemães da 2ª Guerra Mundial e aquele que foi construido em maior número, com uma vida operacional que começa na Guerra Civil de Espanha e termina muito depois do fim da Alemanha nazi ao serviço de diversas nações, é complexo e seria extremamente moroso.

Concebido como caça, o modelo desenhado por Willy Messerschmitt e construido pela fábrica de aviões bávara ou Bayerisch Flugzeugwerke, de onde surge o Bf que faz parte do nome, foi adoptado pela Luftwaffe após um concurso em que participou o Heinkel 100, para muitos superior ao Bf 109, mas que, por razões ainda hoje pouco claras foi preterido.

Mesmo centrando-nos na versão E, utilizada no início da 2ª Guerra Mundial, muito haveria a dizer de um avião que participou em todas as campanhas, incluindo as invasões da Polónia e de França, a Batalha de Inglaterra, os combates nos Balcãs ou a invasão e da Rússia e a campanha no Norte de África.

Nestes dois primeiros anos de Guerra, a versão E sofreu diversas evoluções, começando pelos E1, armados apenas com metralhadoras, seguindo-se os E2, que foram os primeiros Bf 109 armados com canhões, e passando depois para os E3 e E4, o modelo típico da Batalha de Inglaterra, e os E7, que tinham a possibilidade de transportar um tanque de combustível interno, com capacidade de 300 litros, que aumentou em muito a autonomia deste avião.

Enviado para o Norte de África, para apoiar o Afrika Korps, os Bf 109 do Jagdgeschwader 27 demonstraram uma extraordinária eficácia, não obstante o seu escasso número face aos efectivos com que se defrontaram, as dificuldades de abastecimento, e todos os problemas inerentes a um clima completamente diferente daquele que se sente na Europa, o que obrigou a algumas modificações.

Para além do padrão de camuflagem em tons de areia com manchas verdes, os Bf 109 E4/7 receberam um novo filtro de ar, capaz de evitar a entrada de areia, bem como um conjunto de equipamentos que, supostamente, ajudariam o piloto a sobreviver no deserto, incluindo-se uma espingarda Mauser Kar98K para que pudesse caçar.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O Panzerhaubitze 2000 da Planeta de Agostini/Altaya - 2ª parte

O modelo da Ixo, comercializado pela Planeta de Agostini/Altaya, incluido numa colecção algo variada de veículos militares, cujos critérios de selecção, efectivamente, desconhecemos, por incluirem viaturas antigas e modernas, entre carros de combate, peças de artilharia auto ou transportes blindados, foi comercializado como o número inicial, portanto com um preço muito inferior ao normal.

Este é um modelo de boa qualidade, seja a nível das linhas e das proporções, seja da pintura, muitas vezes um dos pontos fracos destas miniaturas, que reproduz muito correctamente o padrão utilizado pelo Exército Alemão na Europa, sobre o qual são bem visíveis as diversas insígnias e matrículas que replicam bem as do veículo real.

É particularmente agradável ver que os rodados em borracha negra foram pintados, que as lagartas estão moldadas na cor correcta, ver a metralhadora MG-3 instalada na cúpula do comandante, correctamente reproduzira, com os vários detalhes, tal como as ferramentas, bem moldados e pintados na cor correcta.

Mesmo os pormenores de menor dimensão, como antenas, faróis, periscópios, estão presentes, finamente replicados, com o longo tubo da peça a ser elevável, soltando-se do suporte, enquanto a torre pode ser girada, permitindo compor cenários realistas, onde o modelo do PzH2000 merece um lugar de destaque.

Este modelo, quando comparado com outros da mesma marca, tem um nível de finalização superior, com mais e melhores detalhes e, sobretudo, com uma pintura mais realista em termos de finalização, do rigor das cores e pelo facto de pequenos pormenores terem igualmente sido pintados, o que, convenhamos, poupa bastante trabalho a quem pretenda melhorar esta miniatura.

Assim, este PzH2000 é uma excelente base para melhoramentos, que podem passar pelo simples retoque da pintura, acrescentando algumas marcas de uso, ou pela adição de elementos, como sacos, depósitos ou caixas, tal como sucede na maioria dos veículos militares em operações, tendo apenas o senão de ter a totalidade das escotilhas e aberturas fechadas, o que dificulta a composição de algumas cenas ou a inclusão de figuras.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

O Panzerhaubitze 2000 da Planeta de Agostini/Altaya - 1ª parte

O óbus blindado 2000, designado por Panzerhaubitze 2000, é uma peça de artilharia pesada auto propulsionada desenhada para o Exército Alemão em 1996 e que entrou em produção no ano de 1998, tendo sido finalmente adoptado, após os testes e adaptações necessárias, no ano 2000, de onde deriva o seu nome.

Destinado a substituir ps M109, o modelo da Krauss-Maffei Wegmann e da Rheinmetall, tem um custo que rondava os 4.000.000 de Euros, incorporando as mais sofisticadas soluções em termos de controle de tiro, pontaria, autonomia ou velocidade, sendo considerado como o que de melhor se faz neste sector.

Com um alcance máximo de 35 quilómetros com munições padrão e de 40 com munições assistidas, tem uma cadência de tiro de 3 projécteis em 9 segundos, seguindo-se 10 em 56 segundos, após o que é possível manter uma cadência de entre 10 e 13 disparos de munições de 155 milímetros por minuto, com uma excelente precisão, orientada por observadores que informam sobre o alvo através de comunicações encriptadas.

Testes de compatibilidade com o M982 da Raytheon, uma munição guidada de grande alcance, permitiram atingir alvos até aos 48 quilómetros de distância, com um erro médio de um metro, sendo previsto que este tipo de munição venha a ser utilizada pelo Exército Alemão.

Os PzH2000 foram utilizados operacionalmente no Afeganistão em 2010, sendo a primeira vez que o Exército Federal Alemão utilizou artilharia pesada em combate, suportando um ataque de forças paraquedistas na conquista de povoações ocupadas pelos guerrilheiros Taliban, onde foram aprendidas lições que levaram a algumas modificações e melhoramentos.

A blindagem superior foi reforçada, como forma de proteger os PzH2000 do fogo de morteiros inimigos, o sistema de protecção contra ataques nucleares, químicos e biológicos foi revisto, adequando-o a zonas desérticas, onde a poeira tende a entupir os filtros, e o próprio sistema de refrigeração foi melhorado, compatibilizando-o com as altas temperaturas ambientais que, conjuntamente com o aquecimento resultante dos disparos, elevavam demasiadamente a temperatura no interior.