segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

As figuras da Luftwaffe da Airfix - 5ª parte

Seguem-se duas figuras com chaves sextavadas, uma delas enorme e manuseada com as duas mãos, relativamente às quais existem manifestas dificuldades em colocá-las a interagir com qualquer avião, sendo certo de que, no caso da chame de maiores dimensões, seria utilizada para peças de grande porte, admitindo-se que possa ser usada para rodar o veio de um hélice.

As duas figuras que estam a municiar armas são igualmente difíceis de utilizar, dado que uma, deitada, poderia servir para carregar uma arma instalada numa das asas, mas tal não era norma nos aviões alemães, como os Bf 109, que eram municiados com tambores, sendo ainda mais difícil descobrir que tipo de arma utiliza o tipo de carregador da segunda figura, pelo que ambas podem ter pouca utilidade.

Ocorre-nos que alguém tenha imaginado que os aviões alemães possuiam metralhadoras nas asas, tal como os "Spitfire" ou "Hurricane" ingleses, para os quais este tipo de figura faria algum sentido, e tenha simplesmente feito a transposição para outra força aérea onde a operação de municiamento era efectuada de forma completamente diferente.

A figura em pé, com o balde na mão, pode encontrar um uso mais fácil, como deitar óleo num motor ou qualquer outro líquido num recipiente, tal como exemplificamos com um "jerry can", enquanto o que segura uma bomba, que parece ser uma SC50, dada a forma e dimensão, pode simplesmente tê-la levantado para que seja colocada num dos pequenos "trolleys" de transporte ou instalada manualmente no suporte de um Bf 109 ou de um "Stuka".

Quando lançou os primeiros Bf-109 E, a Airfix inclui um sistema de lançamento quádruplo de SC50, com o mesmo tipo de bomba a estar presente nos "Stuka" e nos Henschel 129 então em produção, pelo que esta figura pode ser utilizada junto de um destes modelos, sempre com o cuidado de escolher um angulo que não comprometa algumas diferenças entre as bombas incluídas nos "kits" e a que faz parte da figura.

Nunca conseguimos determinar exactamente o que será o tubo, terminado em ambas as extremidades que uma das figuras tem nos braços, pelo que a sua utilidade é, virtualmente, nula, tal como nunca determinamos que tipo de botija se encontra junto de uma figura que empunha o que parece ser um sistem de ligação activável por uma pequena alavanca que parece uma espécie de gatilho.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

As figuras da Luftwaffe da Airfix - 4ª parte

Voltamos a este conjunto por agora dispormos de um maior número de figuras pintadas, o que permite uma avaliação mais completa, nomeadamente a nível da sua integração em cenários ou simplesmente com alguns modelos de aviões, para os quais seriam um complemento, tal como os seus congéneres ingleses e americanos, previamente lançados pela Airfix.

Ao colocarmos estas figuras junto de diversos modelos de avião, imediatamente surge uma questão, nomeadamente a adequação de algumas posições às tarefas que supostamente desempenham e à interacção com os diversos modelos de aeronave, surgindo imediatamente algumas dúvidas em relação a um bom número delas.

Se o oficial e o piloto em pose algo estática oferecem poucas dúvidas, estando, possivelmente, a observar as operações, e a figura em movimento com uma mala de ferramentas também oferece bastante liberdade de uso, todas as outras são mais problemáticas quando à sua integração num cenário.

O piloto em corrida tem como principal defeito a posição, pouco natural, embora se possa colocar num local onde se prepare para subir uma escada, já que só deveria subir para o avião com o paraquedas colocado, algo que, manifestamente, está em falta, pelo que existem aqui diversas limitações quanto à sua colocação e subsquente uso.

O mecânico com um joelho em terra e que maneja o que aparenta ser uma tubagem em borracha, pode estar a encher de ar um pneu de um trem de aterragem, mas falta a ligação a um compressor, que a Airfix não fornece, verificando-se uma situação muito semelhante com o que está a efectuar o abastecimento de combustível, onde os problemas são bem maiores.

Para além de faltar um tanque ou reservatório, que neste caso implica ter uma bomba manual, manejada por outro militar, do que resulta as tubagens irem directamente para o chão, existe outro erro, concretamente o de um destes tubos se destinar a bombear o combustível para o depósito e o outro servia para sair o ar, sendo orientado para o interior de um pequeno reservatório, como um balde, onde se acumulavam alguns resíduos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O Messerschmitt Bf 109 G-10 da Revell - 3ª parte

Tal como com outros aviões de caça alemães desta época, os "G-10" tinham numerosas opções de pintura, com o azul muitas vezes a dar lugar ao cinzento claro e o cinzento escuro a ser substituído por castanho ou por um segundo tom de verde, numa combinação considerada mais adequada para aviões que operavam exclusivamente sobre terra, algo que, numa altura em que as missões eram essencialmente de defesa contra os aviões aliados, se tornava a norma.

Os decalques da Revell são de muito boa qualidade, mas necessitam de um pouco de verniz para uma fixação correcta, sendo bastante completos para a escala, mas omitindo, naturalmente, as suásticas da cauda, estritamente proibidas na Alemanha, e permitem duas decorações diferentes, ambas com as superfícies inferiores am azul, no conhecido RLM 76, e num padrão de camuflagem superior em RLM 81 e 82, portanto em verde e num tom de verde acastanhado, muito típicos dos últimos meses de guerra na Europa.

Recorremos ao azul da Gunze Sangyo para o azul, dado que este fabricante tem a cor certa para o RLM 76, e à Tamiya para os duas restantes cores, sendo necessário efectuar uma mistura para obter o RLM 82, que se baseia no RLM 81, que dá a base verde, e num tom de castanho, do que resulta a cor final, de uma tonalidade algo difícil de definir e que muitos fabricantes, incluindo alguns bastante conceituados, teimam em reproduzir de forma incorrecta.

Optamos por seguir as instruções da Revell e finalizar o "kit" de acordo com as indicações do fabricante, pintando-o e decorando-o conforme o plano fornecido e adicionando as suásticas na cauda e a antena de rádio, utilizando plástico estirado a quente e colado com cola de contacto entre o mastro e a cauda.

O passo final, para além dos retoques, passa por dar ao modelo um aspecto envelhecido, dando ligeiras pinceladas num tom metálico nas zonas mais expostas, adicionando alguma sujidade na zona dos escapes e no trem de aterragem, e colando a transparência, depois de a estrutura pintada, recorrendo a cola de madeira, que seca transparente e não tem os vapores corrosivo da cola instantânea.

Este é um "kit" muito simples e um dos Messerschmitt nesta escala que se podem encontrar por um preço mais baixo, e, sem grandes detalhes, reproduz aceitavelmente uma versão interessante, com algumas características únicas, que alguns consideravam como uma espécie de filho ilegítimo por ter sido contruído fora da fábrica de onde os restantes Bf 109 eram originários.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Messerschmitt Bf 109 G-10 da Revell - 2ª parte

A pintura deste modelo é semelhante à dos restantes aviões alemães desta época, tendo pintado o interior em verde, com instrumentos e controles em negro e pequenos detalhes em alumínio, adicionando alguns detalhes em branco e vermelho nos mostradores, recorrendo igualmente ao vermelho para os botões de tiro.

Adicionamos os cintos de segurança, que recortamos em papel pintado em castanho, demos um retoque prateado no aparelho de pontaria, após o que, depois de abrir os pequenos furos para posicionar as peças laterais que ficam na zona do nariz e colar no interior os escapes, colamos as duas metades da fuselagem, podendo-se adicionar, nesta altura, a tomada de ar lateral.

Sugerimos que os escapes sejam pintados em tom de ferrugem e negro e toda a zona circundante da fuselagem seja pintado em azul antes de proceder à colagem no interior, facilitando assim a delimitação correcta das cores, podendo-se aproveitar para pintar alguns dos detalhes, como antenas, em prateado ou o trem de aterragem, em verde, com pneus em negro.

O passo seguinte é colar as asas, abrindo os pinos de alinhamento das peças coladas nas superfícies superiores, sendo os conjuntos resultantes colados sobre a superfície inferior das asas, com todo o conjunto a ser colado na fuselagem, seguindo-se os lemes verticais e horizontal, dando assim origem a um modelo onde faltam as peças mais pequenas, mas que se encontra pronto para ser trabalhado, nomeadamente regularizando as zonas de colagem, fazendo desaparecer as junções.

O hélice e o respectivo cone são negros, com as zonas de ajuste do passo, que ficam praticamente invisíveis, a serem pintadas em tom de metal, sendo de pintar as zonas contíguas da fuselagem nas respectivas cores antes de o colocar, o que facilita a pintura do modelo.

Nesta altura, podem-se adicionar as peças mais pequenas, começando pelo trem de aterragem e terminando nas várias antenas e tubos de sondas, passando pelos compensadores dos "ailerons" e pelo reservatório exterior, ficando com o modelo concluído com excepção da transparência que, para evitar algum tipo de sujidade, será colada apenas depois da pintura do modelo.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O Messerschmitt Bf 109 G-10 da Revell - 1ª parte

Os Messerschmitt Bf 109 G-10 resultavam da combinação da estrutura da versão "G" com o novo motor Daimler Benz 605 D-2, sendo fabricados na fábrica Erla como uma medida para manter os níveis de produção até aos novos aviões da versão "K" serem fabricados em quantidade.

Os "G-10" eram identificados pelo novo "cockpit", com uma transparência completamente nova, dispensando a parte traseira, que fica unida à do meio, constituída por apenas três zonas vidradas, num esforço de simplificação e de melhoramento da visibilidade, que acabou por ficar associado à fábrica que produziu este modelo.

Um novo gerador de 2.000 W e o sistema de "booster" MW-50, bem com o radiador de óleo Fo 987 implicou algumas modificações, visíveis sob o nariz, na área da entrada de ar e nas duas protuberâncias laterais, que podem passar facilmente desapercebidas, sobretudo num avião em voo.

Tal como os "K", os "G-10" tinham uma potência que alcançava os 1.973 cavalos, o que permitia a um desenho cuja idade já se fazia sentir, e que chegara ao limite do desenvolvimento em termos estruturais ou aerodinâmicos, continuar a bater-se contra os mais recentes caças aliados, nalguns casos concebidos uma década depois, do que resultava a incorporação de numerosos ensinamentos.

A Revell disponibiliza a versão "G-10" em diversas escalas, incluindo a 1/72, cujo modelo apresentamos neste texto, mas também na 1/48 e 1/32, este último de excelente qualidade e com numerosos detalhes, alguns só possíveis numa miniatura desta dimensão, propondo um conjunto de decalques variados, alguns reproduzindo os aviões de pilotos conhecidos.

Na escala 1/72, estamos diante de um modelo simples, de concepção clássica, com um interior razoável para esta escala, para o qual não é fornecida uma figura de piloto, que pode ser proveniente do conjunto que a Revell disponibilizou e que inclui algumas figuras com as dimensões adequadas para este "kit", onde, tal como no avião real, o espaço é bastante escasso.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O Messerschmitt 163 "Komet" da Hasegawa na escala 1/32 - 3ª parte

O outro passo essencial é a montagem do motor, que basicamente inclui a câmara de combustão e os sistemas de alimentação, bem como as tubagens destinadas à saída de gases, que após montada é pintada em tons metálicos, com o corpo principal a ser em tons de cobre, e os restantes componentes em aço, ficando todo co conjunto fixo na parte da frente da fuselagem.

Com o interior e motor prontos, todo o processo de montagem é extremamento simples, bastando colar as metades da fuselagem, anterior e posterior, as asas, e as transparências do "cockpit", após o que se regularizam as zonas de colagem, antes de se proceder à pintura do modelo, num dos padrões de camuflagem específicos deste modelo, cujo perfil de missão era muito diferente de outros aviões de caça.

Os "Komet" eram pintados em cinzento, com manchas em tons de verde, nos planos superiores, abrangendo toda a zona frontal, e em azul claro na parte inferior, com os tubos e o patim de aterragem em tons de metal, enquanto o trem de aterragem era em verde escuro, mas havia pinturas bem mais originais, como os aparelhos de teste, inteiramente em vermelho, ou com padrões de outros países, que os testaram após o termo da guerra.

A Hasegawa fornece um conjunto de decalques completo e de boa qualidade, incluindo as suástica da cauda, autorizada nos longínquos anos 70, embora algo simplificadas, notando-se que faltam algumas das marcações ou sinais de aviso que eram comuns neste tipo de avião, sem que tal comprometa o resultado final, que se revela agradável e fiel ao original.

Convém dar um aspecto um pouco envelhecido ao modelo, sabendo-se que a vida dos "Komet" era particularmente dura, ficando em prontidão, ao ar livre, horas a fio, por vezes com os pilotos no interior, e realizando sucessivas missões de muito curta duração, o que implicava um enorme esforço e risco, bem como o desgaste de material e de todo o pessoal envolvido, seja na pilotagem, seja em todas as tarefas de terra, sobretudo a nível de reabastecimento.

Apesar dos seus quase 40 anos, o "Komet" da Hasegawa continua a ser um modelo interessante, reproduzindo correctamente um avião único, cuja curta carreira operacional é negligenciável, mas onde se encontra um conjunto de inovações que inspiraram numerosos projectos, sendo a base de aeronaves recentes e sofisticadas, muitas das quais estão hoje no activo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O Messerschmitt 163 "Komet" da Hasegawa na escala 1/32 - 2ª parte

Aterrando sobre um patim central, retraído durante o voo, que possui os encaixes para o pequeno trem de aterragem utilizado durante a descolagem e largado após esta, o "Komet" exigia cuidados especiais, sobretudo a nível da completa limpeza de reservatórios e câmara de combustão, dado que os próprios resíduos podiam resultar numa explosão.

A volatilidade e instabilidade dos dois tipos de combustível, tipo "C" e "T", utilizados, a complexidade do abastecimento e eventuais falhas na limpeza dos circuitos, destruíram mais "Komet" do que o fogo inimigo, o que demonstra o perigo inerente a um avião cujos pilotos usavam equipamentos de voo especiais como forma de os proteger contra o contacto ou mesmo com os simples vapores do combustível.

Ao contrário do habitual, optamos por um "Komet" na escala 1/32, feito pela Hasegawa desde os anos 70, e que reproduz muito correctamente este pequeno avião, que na habitual escala 1/72, quando comparado com outro caça, é extremamente pequeno, sobretudo em termos de comprimento, pelo que muitos dos modelos disponíveis não apresentam um conjunto de detalhes adequados.

Mesmo na escala 1/32, o "kit" do "Komet" não é grande, e o modelo da Hasegawa acaba por ser bastante simples, tal como o avião real, sendo de montagem muito simples, com destaque para um excelente "cockpit" onde todos os detalhes estão presentes, incluindo comandos, instrumentos e controles, e para o motor, visível quando se remove a parte posterior da fuselagem.

Os dois primeiros passos são a pintura e montagem do interior, nas típicas cores dos aviões de combate alemães do final da guerra, em tons de cinzento, com paineis, instrumentos e controles em negro e marcações dos mostradores em branco, estofos e cintos de segurança em castanho e alguns botões, como o de disparo, em vermelho, e o ajuste do leme em tom de metal, tal como fivelas do cinto ou algumas marcas de desgaste.

Apesar de manter muito de comum com modelos mais antigos, o "cockpit" do "Komet" é manifestamente mais moderno, com um parabrisas blindado, um excelente sistema de pontaria e um novo assento que nalguns casos era ejectável, uma inovação alemã que, no caso deste avião, era essencial, como única segura forma de abandonar a aeronave em caso de necessidade.