segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O "mundo" da "Flames of War" - 3ª parte

O "site" da "FoW" é excelente, não apenas com os produtos que constam do catálogo e uma loja virtual, mas também com um impressionante conjunto de artigos sobre modelismo e acerca do modelos reais que lhes deram origem, sobre cenários e a realidade histórica, e com todo um impressionante manancial de informação que permite a um modelista ou jogador obter plenos esclarecimentos.

No fórum, onde participam inúmeros modelistas e jogadores, é possível colocar questões e encontrar respostas para virtualmente qualquer tipo de pergunta, podendo-se aqui aferir da vitalidade de uma vasta comunidade particularmente activa e disseminada por todo o Mundo.

Falta, talvez, uma solução completa, tal como, de forma algo limitada, faz a "Zvezda" que inclui numa mesma caixa as regras simples, o cenário e um conjunto de modelos, que podem ser complementados por peças avulsas, mas que permite aos jogadores, sem a necessidade de novas aquisições, começar a jogar após se terem familiarizado com as regras e com a metodologia destas.

Com a chegada do "Tanks", que incluem numa mesma caixa as regras e um par de tanques, a "FoW" responde à concorrência, mas é óbvio que, ao contrário da proposta da "Zvezda", sem novas aquisições apenas se pode efectuar um duelo entre dois carros de combate, podendo tal opção confirmar a ideia de que se pretende oferecer não um produto completo, mas algo que implique novas aquisições.

Assim, a "FoW" consegue oferecer uma solução completa, por vezes estanque, sobretudo quando falamos dos eventos que promove em todo o Mundo, manter um crescimento constante, alargar a sua base e, mesmo face a uma concorrência crescente, não perder a liderança no segmento onde se instalou.

Após esta extensa introdução, que consideramos ser justificada face ao modelo de negócio criado, chega a altura de observarmos as miniaturas, tendo selecionado para exemplo uma pequena força de reconhecimento alemã no Norte de África, composta por um misto de camiões ligeiros e motociclos com "side car", que incluem algumas unidades de infantaria transportada e arma mais pesadas para efeitos de apoio.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O "mundo" da "Flames of War" - 2ª parte

Com preços elevados face a miniaturas em plástico, e perante um mercado crescente, diversos fabricantes lançaram linhas de modelos na mesma escala, caso da "Zvezda" ou da "Plastic Soldier Company", que optaram pelos "kits" simplificados em plástico, os quais têm um preço mais baixo do que os da "FoW", sendo uma alternativa a ter em conta.

Face a esta concorrência, a "FoW" apresentou os seus próprios modelos em plástico, normalmente em conjuntos e representando sobretudo veículos utilizados em maior número, como os tanques mais comuns, e as figuras que surgem em maior quantidade nos jogos de guerra, complementando assim os modelos em metal e resina que representam veículos ou figuras mais raros ou específicos, incompatíveis com o elevado custo dos moldes de injecção em plástico.

Através desta complementaridade, a "FoW" conseguiu oferecer uma solução menos dispendiosa, sem com isso perder a enorme variedade que consta de uma linha de produtos com largas centenas de referências, reforçada este ano com um conjunto de regras simplificadas, denominada "Tanks", que recorrem a modelos em plástico, de baixo custo, e que pretendem atrair um segmento de jogadores que, tendo menos tempo ou recursos financeiros, dificilmente podem recorrer a regras mais complexas que dão origem a jogos morosos para os quais são precisas numerosas miniaturas.

A "FoW" complementa a sua oferta com um pequeno conjunto de embarcações, destinadas à guerra no Vietnam, onde numerosas operações decorriam em cursos de água, também na escala 1/100, e com um cada vez maior número de aeronaves, para as quais a opção tende a ser a escala 1/100 para helicóperos, dado que podem ter que ser colocados sobre a mesa de jogo, e 1/144, de modo a que ocupem menos espaço, sobretudo em termos visuais.

No caso concreto dos modelos de aviões na escala 1/144, estão disponíveis inúmeras opções, como os modelos da "Bandai" ou da "Takara", já pintados e quase montados, ou os da "Zvezda" ou "Revell", fornecidos sob a forma de "kits" de plástico, todos eles aliando a qualidade a preços muito competitivos.

No entanto, e não obstante as ofertas da concorrência, a venda de modelos da "FoW" parece não ser afectada, com muitos clientes a optar pelos produtos deste fabricante que tem promovido numerosos clubes de jogos de guerra e torneios, onde os seus modelos são utilizados, num permanente esforço de "marketing" que, manifestamente, tem sido bem sucedido.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O "mundo" da "Flames of War" - 1ª parte

Temos mantido a "Flames of War", um fabricante de miniaturas que desenvolveu um extenso conjunto de regras para jogos de guerra fora deste "blog" por terem optado pela escala 1/100, mas decidimos, seja pelo contínuo aumento da influência desta escala, seja pelo próprio modelo de negócio, refletir sobre este tema.

Antes de mais, queremos abordar o conceito desenvolvido e modelo de negócio que implementou, que tem permitido um inegável sucesso e uma franca expansão, alargando a gama inicial e abrangendo não apenas a 2ª Guerra Mundial, onde se iniciou, mas também a Grande Guerra, a guerra do Vietnam, a guerra dos 6 Dias, entre Israelitas e Árabes, e um conflito imaginário entre a NATO e o Pacto de Varsóvia, mantendo uma cadência constante na apresentação de novidades dirigidas para distintos mercados.

A "Flames of War", muitas vezes abreviada por "FoW", é dos poucos fabricantes que potencia as suas miniaturas através de um conjunto de regras, sucessivamente revistas, alargadas e reforçadas com suplementos, nas quais inclui a constituição das unidades a utilizar nos inúmeros cenários que propõe, gerando assim vendas em cadeia, criando e satisfazendo as necessidades dos seus clientes.

Este processo, suportado por um excelente "marketing", permite à "FoW" editar sucessivos suplementos, com novos cenários, muitas vezes em teatros de operações específicos, para os quais fabrica os modelos necessários, alguns incluindo personagens, reais ou fictícias, que coloca em determinadas missões, criando assim a necessidade de efectuar novas aquisições, mantendo assim um fluxo constante de vendas, num filão aparentemente inesgotável.

Os modelos da "FOW" eram, originalmente, em resina e metal, com o primeiro material a ser escolhido para as peças de maiores dimensões, como o corpo e torreta de um carro de combate ou para um camião, enquanto o segundo se destinava a peças de menor dimensão, que incluíam a maioria dos detalhes e as próprias figuras, com características muito semelhantes às de outros fabricantes que recorrem a este tipo de técnica.

Para além dos modelos individuais, ou conjuntos de figuras, a "FoW" disponibiliza ainda unidades completas, a nível de pelotões, companhias ou mesmo de grupos de combate mais completos, incluindo diversos tipos de unidade, que se encaixam de forma adequada na estrutura criada pelas regras e cenários dos suplementos, constituindo assim quase uma solução "chave na mão", com um preço inferior ao da totalidade do conteúdo quando adquirido separadamente.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Os "kits" da Matchbox - 2ª parte

Talvez mais importante, para além deste conjunto de inovações, os modelos tinham uma excelente qualidade de moldagem, com as peças a encaixarem na perfeição, substituindo os célebres e exagerados rebites típicos dos "kits" da Airfix por linhas contínuas, perfeitamente defenidas e que reproduziam muito melhor o modelo original.

É de realçar que os "kits" eram simples e seguiam padrões lógicos e intuitivos, sem extras complexos, tentando reduzir o número de peças, o que implica, naturalmente, que alguns requintes, como porões de bombas ou superfícies móveis eram inexistentes e os interiores muito simplificados, sendo constituidos por pouco mais do que um piloto, sempre igual para uma mesma época, o respectivo assento e, caso ficasse mais visível, um painel de instrumentos e coluna de controle ou "manche".

Obviamente, quando tudo é feito em função da simplicidade, não é de esperar nem demasiados detalhes, nem um nível de qualidade demasiado elevado, mas o objectivo da Matchbox para os seus modelos na escala 1/72 e 1/76 era o de fornecer produtos a um preço acessível e destinado a modelistas pouco experientes e que, em muitos casos, se davam mal como os "kits" da Airfix, cujas características em termos de moldagem tornava mais complexos.

Também a consistência qualitativa dos modelos era mais sólida, tendo todos um nível semelhante, ao contrário de outros fabricantes onde os "kits" mais antigos eram francamente inferiores, seja em termos técnicos, seja nalguma falta de rigor, do que resultavam alguns erros flagrantes não apenas no desenho da miniatura, mas também em termos históricos, onde os erros da Airfix eram mais que conhecidos.

Pelo seu lado, a Matchbox primava pelo rigor, com os modelos, se bem que simples, nalguns casos pode-se dizer que simplificados, a ter linhas correctas e os detalhes presentes a serem irrepreensíveis, e com as decorações a resultar de uma investigação histórica, com uma descrição de factos do aparelho concreto que era reproduzido, como uma missão específica e a data em que decorreu.

Embora os primeiros modelos escolhidos pela Matchbox fossem os mais comuns nas respectivas escalas, embora em muitos caso em versões diferentes dos da concorrência, sendo disso exemplos os "Spitfire", "Hurricane", Messerschmitt Bf 109E ou o P-51D "Mustang", na área dos aviões, ou os "Sherman" e T-34, rapidamente surgiram "kits" inéditos no mercado nacional, pelo menos no segmento com os preços mais acessíveis.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Os "kits" da Matchbox - 1ª parte

Quando surgiram os primeiros "kits" da Matchbox, nos longuínquos anos setenta, o domínio quase absoluto da Airfix no mercado foi seriamente abalado e, pela primeira vez, o mais conhecido fabricante de modelos para montar foi ultrapassado em termos de qualidade.

A Matchbox, sendo um dos mais antigos fabricantes de brinquedos, era conhecida sobretudo pelos pequenos modelos que cabiam numa embalagem do tamanho de uma caixa de fósforos, de onde vem a origem do nome, tendo expandido as suas gamas de produtos ao longo de décadas, mas sempre com a predominância do fabrico de produtos em metal, com incorporação de plástico.

Assim, foi com surpresa que surgiram os primeiros "kits" deste fabricante, os quais incluiam modelos de aviões, na escala 1/72, e de veículos militares, na escala 1/76, sendo óbvio que esta escolha resulta da influência da Airfix no mercado, o que levou a selecionar exactamente as mesmas escalas.

No entanto, os "kits" da Matchbox tinham diferenças substanciais relativamente aos da Airfix, que os tornava particularmente apelativos, sobretudo para os principiantes, que nestes modelos com cada grelha moldada em plástico de cor diferente, viam uma vantagem em termos de finalização.

A Matchbox ao fornecer os "kits" em duas cores de plástico, ambas adequadas a substituir a cor final, facilitava a vida aos menos experientes, que não pintavam os modelos, fornecendo ainda um esquema de pintura mínimo, que aproveitava a cor do plástico do modelo, bem como os habituais planos para uma pintura integral, fornecendo sempre os decalques para duas decorações diferentes.

Acrescia, no caso dos veículos, uma base que simulava o terreno, com elementos de vária ordem que podiam incluir ruinas, árvores, ou mesmo algumas figuras, sempre de boa qualidade, o que permitia expor o modelo num pequeno cenário que, naturalmente, o valorizava.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

As figuras da Luftwaffe da Airfix - 3ª parte

O uniforme de serviço do oficial, comum à Luftwaffe, e que pode ser usado conjuntamente com os paraquedistas, é em cinzento azulado, a mesma cor dos bivaques e bonés de pala usados por todo o pessoal, com a camisa em branco e a gravata, cinto e botas em negro e insígnias em prateado, podendo-se realçar os detalhes com linhas separadoras em negro e pincelando suavemente zonas mais expostas do uniforme com um tom ligeiramente mais claro.

Podem-se efectuar pequenas variações nos uniformes ou nos acabamentos, como a adição do "jerry can" no exemplo, de modo a conferir uma maior diversidade, sendo quase certo de que vai ser necessário cortar as bases, ou reduzí-las muito substancialmente, caso se pretenda integrar estas figuras num cenário, evitando que surjam figuras completamente idênticas, algo que, na vida real, nunca acontece e pode comprometer o resultado final.

Com uma altura pequena, o ideal é colocar as figuras sobre elementos que as elevem um pouco ou de alguma forma ocultadas parcialmente, evitando que se possa ter uma visão de toda a dimensão das figuras, sendo opção, igualmente, colocá-las sobre bases, um pouco trabalhadas, que acrescentem um par de milímetros, de modo a que se aproximem mais daquelas que são produzidas na escala 1/72.

Durante muitos anos, este foi o único conjunto destinado a representar o pessoal de suporte da força aérea alemã do período da 2ª Guerra Mundial em terra, tendo sido incluidos em diversos conjuntos, alguns dos quais não primavam pelo rigor, como o que incluia, para além destas figuras, um canhão anti tanque PAK 40, que não faz sentido num aérodromo, e um camião Opel Blitz, esse comum a todos os ramos das forças armadas alemãs.

Quando comparado com outros conjuntos, como o da Preiser, o conjunto da Airfix apresenta óbvias limitações, seja em termos da quantidade de poses diferentes, seja pela dimensão das figuras, seja pela mais difícil integração com os aviões, tendo, obviamente, um preço imbatível, sobretudo face à quantidade de figuras fornecidas.

Mesmo com todas estas limitações, não podemos deixar de apreciar este conjunto da Airfix, que permite, dividindo as figuras por diversos pequenos cenários, melhorar cada um deles, dando mais vida e ambiente, sobretudo se colocadas de modo a interagir com um avião que, naturalmente, seria a peça central, sendo valorizado pela adição deste tipo de elemento complementar.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

As figuras da Luftwaffe da Airfix - 2ª parte

A maiorias das figuras são mecânicos, nas mais diversas tarefas, que incluem desde a execução de tarefas de manutenção, utilizando ou transportando diversas ferramentas, ao municiamento de armas, com figuras a manejar munições e mesmo bombas, ou a reabastecer uma aeronave de combustível ou óleo.

Em termos gerais, estas poses são plausíveis, dependendo, obviamente, do avião a que se destinam, com a imagem da caixa a dar apenas uma pequena ideia do que pode ser a utilização destas figuras junto de um Messerschmitt Bf 109, mas nem todas são de fácil integração como, por exemplo aquela que representa um militar deitado a municiar uma metralhadora que, supostamente, estaria integrada na asa de um avião, sendo difícil saber qual o modelo de aeronave a que se destina.

Este é o tipo de problema que surge ao integrar as várias figuras, sendo mais adequadas a alguns aviões do que a outros e, nalguns casos, difíceis de colocar junto de um dado modelo e a interagir com este, algo que resulta da sua generalidade e do facto de não terem sido concebidas para uma aeronave específica.

Apenas o piloto a correr tem uma pose pouco natural, a menos que esteja a subir uma escada ou a aceder ao interior do avião, admitindo-se que este seja o resultado de limitações do molde, surgindo igualmente algumas dúvidas quanto à figura que tem o que parece ser um foguete nos braços, relativamente à qual a integração não é fácil, mesmo admitindo que se destinava aos Bf 109 G, produzidos então pela Airfix, e que incluiam dois tubos de lançamento debaixo das asas.

A pintura dos mecânicos, com uniformes inteiramente negro, é extremamente simples, podendo-se usar um cinzento muito escuro, ligeiramente pincelado, para aumentar o contraste, após o que se pinta a face, mãos e ferramentas ou utensílios que usam, normalmente em negro, enquanto as munições são em cobre.

Os pilotos usam um uniforme castanho claro, que pode chegar a um tom amarelado ou creme, enquanto os capacetes de voo e luvas são em cabedal castanho e as botas podem ser na mesma cor ou em negro, com o boné a ser o normal da Luftwaffe, em cinzento azulado, com a banda e pala em preto.