sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O T-34 76 da Zvezda na escala 1/35 - 4ª parte

Também os T-34 da Zvezda podem vir acompanhados de figuras, muito à semelhança dos BT, sendo a sua pintura idêntica, caso se trate de modelos que representam carros de combate utilizados até 1943, altura em que houve uma substancial alteração nos uniformes, ressurgindo as antigas insígnias de posto nos ombros, eliminadas após a Revolução de Outubro, como símbolos do czarismo.

Com um "capot" de dimensões muito superiores às de um BT, era possível transportar um maior número de soldados num T-34, sendo habitual uma secção de infantaria inteira montar num único tanque, onde era transportada até entrar em contacto com o inimigo, numa missão extremamente arriscada que se traduzia em baixas particularmente elevadas e numa esperança de vida que se reduzia a três meses neste tipo de missão.

Deve-se ter em atenção a evolução dos uniformes e dos próprios equipamentos e armamento quando se selecionam figuras para colocar num dado carro de combate, sendo ainda de ter em atenção a estação do ano, dado que no Inverno, para além da camuflagem branca em zonas nevadas, os próprios militares tinham agasalhos, sob a forma de fardamento adequado a baixas temperaturas ou, sobretudo no início da guerra, adicionando um pesado sobretudo sobre o uniforme de Verão.

Figuras, bandeiras, "slogans" pintados na torre, para além das marca de desgaste, danos resultantes do combate e das operações em terrenos difíceis, bem como a sujidade, compatível com o cenário e estação do ano, são essenciais para finalizar este modelo, que, de outra forma, resulta algo apático, sobretudo se pintado de acordo com os regulamentos.

Numa outra vertente, face ao número produzido e à violência dos combates, numerosos T-34 foram capturados pelos alemães que, face ao seu valor, os utilizaram contra as forças soviéticas, muitas vezes quase de imediato, após pintar apressadamente um conjunto de símbolos de identificação, outras após reparações e modificações que os compatibilizassem com outros meios alemães.

É de notar que os alemães removiam os reservatórios de combustível externos, podendo manter os respectivos suportes, mesmo nos veículos que não eram modificados em fábrica, pelo que, salvo numa fase muito inicial, estes nunca estariam presentes, sendo uma das formas que permitiam intuir quanto ao proprietário do tanque.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O T-34 76 da Zvezda na escala 1/35 - 3ª parte

Enfrentando um cada vez maior número de "Panther" e "Tiger" alemães, armados com peças muito mais eficazes do que o canhão de 76.2 mm dos T-34, a vantagem do início da guerra perdeu-se, surgindo então a versão final, armado com uma excelente peça de 85 mm que, tal como o 88 mm alemão, tinha origens num canhão anti-aéreo.

Os modelos da Zvezda de que dispomos reproduzem os modelos de T-34 armados com peças de 76.2, sendo equiparáveis, em termos de qualidade, ao BT-7 do mesmo fabricante, pelo que muito do que dissemos relativamente ao modelo anterior é aqui aplicável, seja em termos de montagem, seja de pintura e finalização.

Naturalmente, surgem algumas diferenças, e no caso dos T-34 é impossível finalizar os "kits" sem as lagartas montadas, dado que estas eram absolutamente essenciais para a sua mobilidade, sendo de ter uma maior atenção ao interior caso se opte pelas escotilhas em posição aberta, sobretudo nas versões iniciais, onde uma única escotilha, de muito grandes dimensões, permitia o acesso pela torre.

Também em termos de pintura os T-34 oferecem mais possibilidades do que os BT, sendo conhecidos exemplares com padrões de camuflagem e mesmo alguns que nem foram pintados, surgindo em batalhas da maior importância, como Estalinegrado, apenas com o primário, o que lhes dava uma aparência acastanhada, por vezes com uma camuflagem de Inverno, em tons de branco, aplicada directamente sobre o primário.

Também os "slogans" eram mais comuns nos T-34 do que em modelos anteriores, sendo visíveis em muitos os nomes de cooperativas que tinham doado o dinheiro necessário para a construção daquele tanque, começando igualmente a surgir frases patrióticas e insígnias de aliados da União Soviética, como os polacos que combatiam na frente Leste.

É de notar que à medida que a guerra se prolongava, e por vezes atingia níveis de maior complexidade, com a possibilidade de derrota a surgir no horizonte, muitas imposições desapareciam, dando lugar a uma maior expontaneidade e tolerância, patente na permissão de uso de símbolos religiosos, algo que em tempo de paz era absolutamente proíbido no exército soviético, pelo que a variedade na decoração de um modelo, igualmente aumenta.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O T-34 76 da Zvezda na escala 1/35 - 2ª parte

Quando o T-34 surgiu, as limitações dos BT, e da esmagadora maioria dos tanques então em uso, incluindo-se aqui os de todas as nações que participaram na 2ª Guerra Mundial, tornaram-se mais do que evidentes, verificando-se uma das mais rápidas evoluções a nível de carros de combate alguma vez verificadas, entrando definitivamente na modernidade.

O T-34 tinha, praticamente, todas as características que se pretende num carro de combate, estando armado com uma peça capaz de destruir os inimigos, uma blindagem capaz de resistir ou defletir os projéteis que o atinjam, uma excelente mobilidade sobre todos os tipos de piso, graças a umas lagartas de grande largura e à potência de um motor diesel, fiável e pouco inflamável.

Este conjunto de características, todas presentes e com um excelente equilíbrio, permitiam ao T-34 ser considerado o melhor carro de combate do Mundo quando surgiu, proporcionando ainda uma excelente base para melhoramentos futuros, não apenas funcionais, mas também em termos de método de fabrico.

É de notar que, tal como acontecia com muitos equipamentos soviéticos, o custo de produção veio a ser substancialmente reduzido, num misto de modificações, racionalizações, simplificações e na introdução de novas técnicas de fabrico, pelo que o preço de um T-34 baixou substancialmente entre o início da produção e as últimas unidades armadas com o canhão de 76.2 mm, tendo subido apenas nas versões finais, armadas com a peça de 85 mm.

Todo o processo de evolução merece atenção, pois se os primeiros exemplares demonstraram, desde logo, a sua valia, também ficaram patentes algumas limitações, nomeadamente a nível do escasso espaço para uma tripulação de 4 elementos, dois dos quais, o condutor e o operador de rádio e da metralhadora frontal ficavam dentro da carroçaria, e os outros dois, apontador e municiador do canhão, na estreita torre.

Outro problema óbvio era a falta de uma cúpula para o comandante, com periscópios em redor, e de escotilhas independentes, melhoramentos que viriam a ser introduzidos na versão de 1943, onde uma torre hexagonal, completamente redesenhada, aumentou substancialmente o desempenho do novo modelo.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O T-34 76 da Zvezda na escala 1/35 - 1ª parte

A evolução dos carros de combate soviéticos durante o final da década de 30 e até meados da década de 40 foi verdadeiramente impressionante, partindo de um conjunto de modelos ultrapassados ou com defeitos evidentes e terminando nalguns dos melhores tanques de sempre, com características e conceitos verdadeiramente inovadores que foram copiados por todos os beligerantes.

Já nos debruçamos sobres o BT, enquanto modelo individual, mas voltamos a eles como parte de uma cadeia evolutiva onde este modelo, hoje algo desconhecido e negligenciado, teve uma importante influência, não apenas pelas suas características positivas, mas também pela forma como os defeitos foram reconhecidos e corrigidos em modelos posteriores.

Com uma tripulação de apenas 3 elementos, onde um conduzia, outro municiava e o terceiro apontava a peça, o comando do carro de combate, a operação do rádio, a coordenação de outros veículos, no caso de comandantes de unidade, a diversidade e complexidade das tarefas penalizavam o desempenho colectivo dos BT, com os seus sucessores a passarem a ter uma tripulação mais numerosa.

Tal implicou, naturalmente, redesenhar todo o veículo, de modo a obter um interior mais espaçoso, pelo que a largura teve que ser aumentada, o que permite igualmente que o anel onde assenta a torre seja de maior diametro, essencial para uma torre de maiores dimensões, onde uma peça mais volumosa possa ser instalada.

Com base nas experiências anteriores, foram desenvolvidos diversos protótipos, com motores diesel a substituir os anteriores motores a gasolina, que, após várias fases e aperfeiçoamentos, deram origem ao conhecido T-34, que veio complementar e depois substituir os anteriores modelos, cada vez menos capazes de enfrentar os adversários alemães.

No entanto, e apesar das suas limitações, os BT mantiveram-se em uso durante grande parte da guerra, em missões cada vez mais secundárias e número sucessivamente mais reduzido, tendo virtualmente desaparecido da frente de combate a partir de 1944, altura em que a produção dos T-34 e os IS permitia dispensar modelos mais antigos.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O BT-7 da Zvezda na escala 1/35 - 4ª parte

Assim, a pintura dos veículos soviéticos deste período, fora do período de Inverno, acaba por ser extremamente simples, basicamente numa única cor, onde apenas sobressaem alguns detalhes, como o negro da borracha dos rodados, o tom metálico de grelhas e zonas mais expostas, ou a ferrugem das lagartas, para mencionar as mais visíveis e que devem ser pintadas antes de as peças coladas nos seus locais definitivos.

Os decalques não parecem tão bons como os de alguns fabricantes ocidentais, notando-se uma maior espessura, do que resulta um aspecto mais artificial, pelo que aconselhamos a retocar e envelhecer o modelo após a sua colocação ou, caso existam, a substituí-los por decalques de melhor qualidade, como os da Italeri ou da Tamiya, que também produzem modelos de carros de combate russos do mesmo período.

No caso das estrelas vermelhas, podem inclusivé ser utilizados decalques inicialmente destinados a aviões, sendo possível, para os mais talentosos, escrever as fases patrióticas recorrendo a um píncel fino, copiando de um original que, obviamente, recorre ao alfabeto cirílico.

Os modelos da Zvezda tendem a incluir algumas figuras de tripulantes, neste caso soviéticos, que utilizavam um fardamento azul escuro e um capacete de protecção em couro castanho, destinado a amortecer pancadas no interior do tanque, sendo complementada com um cinto, igualmente em couro castanho e botas, normalmente negras.

Estas figuras são tipicas do período inicial da guerra, já que o fardamento passou a ser semelhante ao do exército soviético, em cor e corte, mantendo-se apenas o capacete que, para simplificar, muitas vezes era em tecido de cor negra, almofadado no interior, e com um desenho muito semelhante ao modelo em cabedal.

Com uma ou duas figuras, que podem ser de tripulantes ou mesmo de infantaria, dado que era prática comum os carros de combate soviéticos transportarem soldados destinados a fornecer protecção contra a infantaria inimiga, o BT-7 da Zvezda resulta num modelo agradável à vista e que reproduz não apenas um veículo, mas o ambiente do início da invasão da União Soviética por parte da Alemanha nazi.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O BT-7 da Zvezda na escala 1/35 - 3ª parte

É de notar que, nos dias de hoje, existe um grande número de fabricantes de "kits" e miniaturas, alguns deles de excelente qualidade, na antiga Europa de Leste, onde a tradição do modelismo se mantém desde os tempos soviéticos, sendo hoje conhecida em todo o Mundo.

No caso deste modelo da Zvezda, simples e fácil de montar, aconselhamos a começar por dar uma camada inicial de tinta nas peças, na cor de base, procedendo depois à montagem dos blocos principais, carroçaria e torre, após o que se pintam os detalhes bem como peças que fiquem menos acessíveis após montadas, como rodados, escotilhas ou acessórios.

A sequência proposta pela Zevzda faz todo o sentido e as instruções são claras e precisas, não deixando dúvidas quanto ao processo a seguir, que aliás acaba por ser semelhante ao da maioria dos modelos de tanques, sendo sempre de ter em atenção angulos e alinhamentos, que devem ser cuidadosamente verificados antes de proceder à colagem e depois de as peças serem limpas de marcas do molde.

Os BT tinham algumas particularidades, e uma delas é a de poderem circular sem lagartas, pelo que, ao contrário de outros tanques, estas são opcionais, tal como é opcional a antena em redor da torre, presente apenas num número limitado de veículos, como os que estavam incluídos nos comandos de unidades ou atribuídos aos comandantes de pelotão.

No início da 2ª Guerra Mundial os tanques soviéticos eram inteiramente pintados em verde, com estrelas vermelhas e números tácticos em branco nas laterais da torre, que normalmente eram colocados dentro de losangos, mas que, pela dificuldade de leitura, evoluiram para uma numeração mais simples e visível, complementado, muitas vezes, com frases patrióticas.

Raramente havia excepções, como a adição de outros elementos ou mesmo de uma camuflagem mais eficaz, sendo excepção a pintura em branco no Inverno, que seria removida passada a época das neves, e que contornava símbolos e insígnias, zonas onde continuava a ver-se o verde original, o qual servia de fundo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O BT-7 da Zvezda na escala 1/35 - 2ª parte

Por outro lado, ao contrário da prática comum noutros exércitos, a maioria dos BT não dispunham de rádio, o que obrigava a manter contacto visual e comunicar por sinal de bandeiras, sendo visível nos exemplares equipados com rádio a antena de grandes dimensões em redor da torre.

Na Guerra Civil de Espanha, os BT demonstraram ser muito superiores aos tanques adversários, com os canhões de 45 mm a serem capazes de destruir os adversários, mas também revelaram que em clima quente havia tendência para o sobreaquecimento do motor, que por vezes se incendiava.

Após participarem na invasão da Polónia em 1939, numa operação coordenada com a Alemanha nazi, os BT enfrentaram a invasão alemã, sofrendo enormes baixas, estimando-se que mais de 2.000 tenham sido perdidos durante o primeiro ano de guerra, com algumas das unidades capturadas a serem utilizadas contra os seus antigos proprietários pelas forças romenas.

O modelo da Zvezda, disponível em diversas versões e opções, reproduz adequadamente este carro de combate que, apesar de algumas inegáveis qualidades, foi batido pelas más tácticas, pela falta de experiência das tripulações e pela incapacidade de coordenação no interior de muitas unidades, a que a falta de rádios não era obviamente alheia, tendo sido um dos primeiros fabricantes a disponibilizar um "kit" deste interessante tanque.

Em termos de qualidade, consideramos a Zvezda equivalente à Italeri, com a qual partilha alguns modelos, produzindo "kits" simples mas com bons detalhes e linhas correctas, acompanhando a evolução do mercado e melhorando sucessivamente os seus produtos que, para a produção mais recente, oferecem uma excelente relação qualidade preço e estão ao nível do que de melhor de produz nesta classe de preços.

Este BT-7, tal como outros modelos originários dos anos noventa, estão qualitativamente abaixo da produção mais recente, mas continuam a ser interessantes e a reproduzir de forma correcta o veículo original, incluindo algumas opções interessantes, como a antena de rádio e figuras de tripulantes.