quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Algumas questões de compatibilidade histórica


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Um conjunto de unidades alemãs do início da Grande Guerra

Quase todos os exércitos presentes ao longo da 1ª Guerra Mundial, sobretudo os que combateram desde 1914 até 1918, sofreram diversas alterações a nível organizativo, de fardamento e de equipamento, pelo que algumas combinações serão historicamente incorrectas se corresponderem a modelos que participaram em fases distintas do conflito.

Usando como exemplo o Exército Alemão, desde o uniforme inicial, que incluia o célebre capacete em couro encimado por um espigão, ou "pickelhaube", até ao modelo final, simplificado e que integrava o capacete modelo 1916, no respeitante à infantaria, passando pela inclusão de novas armas, como o canhão FK16 de 77mm ou o carro de combate A7V, ou ao abandono de armas menos capazes, deve-se observar com atenção se os vários elementos de uma cena efectivamente coexistiram na realidade.

Sabe-se que existem períodos de transição e que exércitos, sobretudo os de maior dimensão e dispersos por um maior número de frentes, não mudam de imediato, necessitando de meses de transição, durante os quais vão coexistir equipamentos em fase de retirada e outros em processo de introdução, mas esta é uma situação que deve ser equacionada com alguma cautela.


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Uma peça FK16 passa junto de um tanque A7V

Se é aceitável que um equipamento que deixou de ser fornecido em 1915, por exemplo, possa ainda estar em uso no ano seguinte, não chocando vê-lo a par de outro introduzido em 1916, o mesmo não se pode dizer se colocado perto de outro que entrou ao serviço em 1918, já que um período de saida de serviço de três anos é francamente exagerado e não será plausível.

Assim, numa das imagens optamos por incluir elementos típicos do início da guerra, incluindo ulanos, infantaria e caçadores ou "jagers", com os uniformes e equipamentos então utilizados, enquanto na outras colocamos uma peça FK16, introduzida em 1916 e que começou a estar presente nas linhas de combate em grande número em 1917, conjuntamente com um carro de combate A7V, que surgiu na frente em 1918, ano em que se poderá passar a cena que aqui pretendemos reproduzir.

Consideramos que, para além da qualidade dos modelos e dos cenários, o rigor histórico possível é fundamental, de modo a que este "hobby" tenha também um fundo pedagógico, ilustrando cenas que poderiam ter acontecido na realidade e estimulando o estudo da História, algo que consideramos um importante valor acrescentado para os adeptos do modelismo.
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