segunda-feira, 6 de julho de 2015

O "Tiger I" da Solido - 2ª parte

Quando se remove o modelo da caixa de cartolina, com uma superfície em plástico transparente, a primeira sensação é a do peso bem como o contacto frio com um modelo inteiramente em metal, com torre, peça e todo o sistema de lagartas móvel, o que contrasta com a leveza e relativa rigidez dos modelos em plástico a que estamos habituados.

Com 125 milímetros de comprimento, a escala real deste modelo realmente a 1/50 anunciada, mas as proporções estão incorrectas, com uma largura excessiva, mas com as linhas a replicar de modo adequado o aspecto algo quadrado e compacto dos "Tiger I", conhecido por ser massiço e composto por planos verticais de grandes dimensões.

O "Tiger I" foi o último dos tanques alemães que não incorporaram a blindagem inclinada, destinada a deflectir projécteis, patente nos T-34 soviéticos, compensando essa falha com uma maior espessura das placas de aço, que ultrapassavam os 100 milímetros na parte frontal da torre e chegavam aos 80 no chassis, o que implicava um peso algo excessivo e penalizador em termos de desempenho e fiabilidade.

Em contrapartida, foi no "Tiger I" que se deu início ao complexo e sofisticado sistema de suspensão com rodados sobrepostos ou intercalados, que permitiam um melhor apoio, uma maior estabilidade e suavidade, com alguma redundância em caso de danos, mas que representavam um peso e complexidade considerável e demonstraram ser pouco adequados a temperaturas negativas, com o gelo da noite a poder bloquear todo o sistema.

Esta complexidade está bem reproduzida no modelo da Solido, completamente funcional e que se pode ver a deslizar sobre irregularidades, de forma idêntica ao do veículo real, tendo como principal defeito a espessura excessiva das lagartas, como resultado da técnica de moldagem e a necessidade de manter uma resistência adequada a um modelo que pode ser usado como um simples brinquedo.

As lagartas, construidas por elos individuais, portanto com um elevado número de peças individuais que necessitam de ser ligadas entre sí por eixos de rotação, igualmente em metal, acompanham perfeitamente os movimentos da suspensão, podendo ser melhoradas caso sejam pintadas, uma vez que são prateadas e não na cor escura de primário e ferrugem do modelo real, onde zonas prateadas apenas surgem em locais de maior desgaste.
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