segunda-feira, 14 de março de 2016

O Focke Wulf 190A da Airfix - 1ª parte

Apesar do sucesso do Messerschmitt Bf 109 e das suas múltiplas evoluções, era patente que o desenho datado de meados dos anos 30 em breve se esgotaria, tornando os melhoramentos pouco relevantes, para além do aumento da potência do motor e de um conjunto de modificações em sistemas periféricos e no armamento, pelo que a necessidade de um sucessor foi equacionada.

Entre os vários modelos propostos, o Focke Wulf 190, equipado com um potente motor BMW radial, foi o selecionado, vindo a complementar, sem nunca substituir, o Bf 109, vindo a revelar-se como um dos melhores aviões de caça da 2ª Guerra Mundial, dando origem a numerosas versões, evoluções e derivações que permaneceram em acção até ao final do conflito.

Quando comparado com o Bf 109, os FW 190 apresentavam inúmeras vantagens, sendo mais compactos, mais potentes, uma melhor plataforma para armamento, um "cockpit" muito mais espaçoso e prático e um sistema de controles revolucionário, que se aproxima muito do "fly by wire" actual, com os comandos a serem activados electricamente e não por cabos e sistemas hidráulicos.

O trem de aterragem mais largo, a maior rapidez estrutural e a grande capacidade de carga, permitia usar o FW 190 em pistas de pior qualidade e desempenhar missões de ataque ao solo, equipados com blindagem e armamento mais pesado e transportando uma carga de bombas impossível para os Bf 109, resultando na conhecida versão F, que possuiu diversas variações.

Apesar de revolucionário, o desenho do professor Kurt Tank, um dos melhores projectistas da época, e dos poucos capazes de testar as suas próprias criações, o que facilitava e agilizava a correcção de erros e o desenvolvimento dos projectos, o FW 190A não era perfeito, sendo a principal limitação o desempenho a alta altitude, com a performance a degradar-se a partir dos 5.000 metros.

Como os bombardeiros pesados aliados voavam a altitudes superiores aquelas em que o FW 190A era eficaz, a opção foi a de continuar a utilizar os Bf 109 nas missões onde era necessário voar a altitudes mais elevadas, enquanto se projectavam novos modelos, entre os quais os FW 190D, conhecidos como "long nose", em virtude do nariz mais longo, onde se encontrava instalado um motor com cilindros em linha, e o FW 152, desenhado especificamente como caça de alta altitude, mas que surgiu muito perto do final da guerra e, portanto, teve pouca influência no desenrolar do conflito.
Enviar um comentário