quarta-feira, 6 de abril de 2016

O Focke Wulf 190D-9 da Italeri - 1ª parte

Como complemento do Focke Wulf 190A-8 da Airfix, que descrevemos em textos já publicados, vamos debruçar-nos um pouco sobre o seu sucessor, a versão D-9, conhecida por "Dora 9", no qual o motor radial de fabrico BMW foi substituído por um modelo com cilindros em linha, melhorando em muito o desempenho desta aeronave, sobretudo a alta altitude, onde a versão anterior apresentava sérias limitações.

O projectista, Kurt Tank, introduziu inúmeros melhoramentos com base na experiência obtida com os primeiros FW 190, pelo que, não obstante em termos de aparência a diferença se encontrar essencialmente na zona do motor, todo um extenso conjunto de peças e equipamentos foram redesenhados e melhorados, pelo que o "Dora 9" apresentava um conjunto de características substancialmente superiores às dos modelos anteriores.

O novo Junkers-Jumo 213 A-1, de 12 cilindros em V invertido, desenvolvia 1.750 cavalos, podendo chegar aos 2.100, com o "boost" activado, o que permitia ao "Dora-9" atingir os 685 km/h a 6.600 metros e 710 km/h a 11.000 metros, demonstrando assim o seu excelente desempenho a alta altitude, factor essencial nos combates contra as escoltas dos bombardeiros aliados.

Os Focke Wulf apelidados de "nariz comprido", rapidamente se tornaram temidos, mesmo face a excelentes aviões inimigos, como o P-51D "Mustang", o Hawker "Tempest" ou as versões mais recentes do Supermarine "Spitfire", tendo sido, essencialmente, utilizados na defesa, algo desesperada do espaço aéreo alemão e na protecção das bases de onde descolavam os caças a jacto Messerschmitt 262, protegendo-os numa altura em que estes eram particularmente vulneráveis.

Os perto de 700 "Dora-9" construídos foram também utilizados no ataque ao solo, como missão secundária, mas foi efectivamente no combate contra outros caças que se distinguiram, com as duas metralhadoras de 13 milímetros, colocadas no "capot" e os 2 canhões de 20 milímetros posicionados na raiz das asas a fornecer um poder de fogo mais do que adequado às diversas missões.

Sem nunca terem substituído a versão A, os D-9 foram sucedidos pelos Ta 152H, um genuíno caça de alta altitude, que se aparentava muito com uma versão de asas alongadas e com sistema de pressurisação, e que constituiram a última fase de evolução de um modelo que se revelou, nas suas diversas versões, um avião de excepção.
Enviar um comentário